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Roque Jr. é direto: "O Racismo está na história do Brasil. Difícil combater"

Roque Jr. foi direto sobre o Racismo no Brasil- Foto: REUTERS/Jorge Silva

Roque Jr. é um dos poucos jogadores que conquistou a Champions League, Copa do Mundo e Libertadores da América. O ex-zagueiro sempre se destacou pela qualidade nos gramados e pela postura fora de campo.

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Num bate-papo exclusivo, o blog o questionou, primeiramente, pelos casos de racismo frequentes no mundo do futebol e na sociedade.

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“É a sociedade em que vivemos. É muito simples, a única diferença é que eu sou negro e você é branco. Uma discriminação por isso é inaceitável. Nos EUA, eles vivem isso muito à flor da pele e se posicionam muito sobre isso. Eles têm uma luta maior do que a gente e lá o Racismo é mais explícito. No Brasil, primeiro as pessoas negam, que é uma dificuldade. O Racismo está na história do Brasil, é estrutural. Nós temos 520 anos com 300 anos de escravidão. O Império caiu depois da Lei Áurea e a República não deu a mínima, por isso o Racismo é estrutural. Ninguém nunca olhou para os negros, que sempre foram maioria no Brasil. No censo de 2015, tivemos 55% de não-brancos. As pessoas acham normal chamar o cara de macaco, mexer com o cabelo. Quanto é difícil você combater isso. Fui num Banco de Investimento, ano passado, e quando cheguei, a recepcionista disse que entrega era por outra entrada. Já fui parado na blitz e perguntaram primeiro se eu tinha passagem pela polícia, porque não podia estar num bom carro. As pessoas negam isso. Os negros precisam entender sua história neste país e não tivemos e temos as oportunidades dos brancos. Temos que lutar com politicas públicas de afirmação e dizer que o Racismo existe, sim, buscando mais educação para combater isso. Existe, é lamentável e temos que lutar contra ele”, afirmou.

Roque Jr. não tem mágoas do futebol, mas até hoje não entende sua ausência do grupo da Seleção Brasileira, que foi ao Mundial da Alemanha, em 2006, com o técnico Carlos Alberto Parreira. Na época, Lúcio e Edmílson foram chamados e Roque Jr. ficou fora, mesmo sendo titular em praticamente todo o ciclo de 2002 a 2006.

“Minha resposta é não sei. Se você puder e entrevistar o Parreira, você me liga e eu entro ao vivo e pergunto para ele(risos). Se a gente for puxar pelos jogos, disputei 14 dos 16 nas Eliminatórias. Um ano antes da Copa, ganhamos a Copa das Confederações com um 4 a 1 sobre a Argentina e eu fui titular. O Parreira foi o treinador que eu mais joguei na Seleção, então, não sei. Até hoje,não sei o motivo. Numa passagem no curso de treinadores da CBF, Parreira deu uma palestra e perguntaram a ele sobre a preparação em Weggis. Aí ele disse, podem perguntar para o Roque, que ele estava lá...No sub-consciente, ele tem esse ato falho. Deveria ter levantado e contestado ele na hora”, ressaltou.

Roque Jr. também falou sobre os atuais zagueiros e mencionou seus preferidos. “Gosto bastante do Hummels(Borussia Dortmund), Sérgio Ramos(Real Madrid), que está sempre ganhando e se mantendo no topo, o holandês Van Djik(Liverpool) e o Marquinhos que é o cara nosso que pode entrar nesta lista. É novo, mas vem jogando em alto nível e falta apenas ganhar algo mais em nível de Europa, saindo da França”, concluiu.

Roque Jr. tem trabalhado como executivo de futebol e treinador. Seu último clube foi a Ferroviária, em Araraquara.

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