Rolezinho: associação dos shoppings afirma que locais estão abertos para todos

SÃO PAULO – Em dezembro do ano passado, grupos de jovens passaram a organizar “rolezinhos” pelo Facebook para realizarem bailes funk dentro dos shoppings. Porém, alguns dos passeios terminaram mal, como a intervenção da polícia no Shopping Itaquera e o fechamento das portas do Shopping JK Iguatemi no último final de semana.

No caso do Shopping JK Iguatemi, manifestantes a favor dos “rolezinhos” acusaram o centro comercial de racismo, por não permitir que pessoas de classes baixas e negras entrassem no local.

O presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Nabil Sahyoun, afirmou, durante uma coletiva realizada com a imprensa nesta quarta-feira (22), que os shoppings estão abertos para que todas as pessoas possam frequentá-los. “O que nós não podemos permitir é que grupos de duas ou três mil pessoas coloquem em risco a segurança dos outros. Pois o shopping é o responsável pelo cuidado dos lojistas, trabalhadores e consumidores”, explicou.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo está monitorando as redes sociais para se preparar para caso sejam combinados outros passeios que reúnam milhares de jovens. No entanto, o secretário de segurança, Fernando Grella, reiterou que os “rolezinhos” não serão impedidos e só será utilizada a força policial caso haja ocorrência de violência.

Sahyoun ainda afirmou que o movimento nos shoppings caiu 25% desde que os “rolezinhos” começaram.

Consumidores
No entanto, os jovens são vistos como potenciais consumidores do setor. Um levantamento realizado pelo DataPopular, o Brasil tem 30,7 milhões de jovens com idade entre 16 e 24 anos e 54% costumam ir ao shopping pelo menos uma vez por mês. Destes que frequentam os shoppings, 8,9 milhões pertence à classe média.

Além disso, a renda dos jovens da classe média é superior que a dos jovens das classes alta e baixa somadas, totalizando R$ 129,2 bilhões contra R$ 80 bilhões. Entre os itens mais procurados pelos jovens de classe média estão os itens de tecnologia: notebooks (15%), smartphones (11%) e tablets (11%).

O estudo indica ainda que é que 55% das pessoas da elite brasileira acreditam que os produtos deveriam ter “versões para ricos e para pobres”, enquanto 50% afirma que preferem “ambientes com pessoas com o mesmo nível social”. Já 17% diz que pessoas mal vestidas deveriam ser barradas em certos lugares.

Quanto à questão do racismo e segregação dos consumidores, Sahyoun alega que o setor de shoppings aceita todos os tipos de consumidores e que casos isolados, como o do JK Iguatemi, não devem ser generalizados.

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