Rodrigo Rato presta depoimento como acusado no caso Bankia

Madri, 20 dez (EFE).- O ex-presidente de Bankia, Rodrigo Rato, que foi diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), prestou depoimento nesta quinta-feira como acusado no julgamento que investiga as contas do grupo bancário espanhol, que foi nacionalizado em maio e receberá metade da ajuda europeia destinada às instituições financeiras do país.

Rato, que foi o último dos 33 ex-diretores a comparecer no tribunal, disse que pouco antes de sua demissão, em 7 de maio, o governo de Mariano Rajoy pediu a ele um novo plano para a entidade, apesar do anterior ter o sinal verde do Banco da Espanha, informaram fontes jurídicas.

O empresário também explicou que no final de março o grupo financeiro apresentou ao banco supervisor um projeto de saneamento para cumprir com as provisões imobiliárias impostas pelo Executivo em sua primeira reforma financeira.

Posteriormente, nos primeiros dias de abril foi elaborado outro plano, por iniciativa do BFA-Bankia, que resolvia dúvidas sobre a matriz (BFA) e que foi elaborado pela Deloitte, a companhia que realiza auditorias no grupo e que participou ativamente de seu lançamento na bolsa.

O ex-vice-presidente do governo e também ex-ministro de Economia nos mandatos de José María Aznar explicou que o projeto, que serviria para cumprir com as exigências de provisões e dissipar qualquer incerteza, recebeu o sinal verde formal do Banco da Espanha em abril.

No entanto, apesar da aprovação do organismo supervisor espanhol, Rato revelou que as "autoridades" pediram a ele que fizesse um novo plano no qual contemplasse uma queda da economia pior que as previsões mais pessimistas.

A aprovação do plano não aconteceu e ele finalmente decidiu renunciar ao sentir que tinha perdido a confiança das autoridades, explicou.

O ex-presidente do Bankia disse para o juiz que as contas apresentadas em 28 de março, com um lucro de 309 milhões de euro, eram o reflexo fiel da companhia no fechamento do exercício de 2011.

A poucos dias de sua saída, a Deloitte apresentou na última reunião dos conselheiros agora acusados uma reformulação das contas, nas não variou o lucro operacional nem a inadimplência, explicou.

As mudanças contábeis finais transformaram o lucro líquido de 309 milhões de euros em perdas de 2,97 bilhões de euros, o que ocorrreu, entre outras razões, pela antecipação de provisões e a venda de ações que não estavam previstas. As contas modificadas serviram de base para a nova equipe solicitar a injeção de fundos públicos.

Durante sua declaração, Rato criticou o Banco da Espanha por encorajar a inclusão do Bancaja na fusão liderada pela Caja Madrid com outras entidades, e também o governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero e o atual por seus requerimentos legais.

Rato argumentou que um desses requerimentos precipitou o lançamento da Bolsa do Bankia, opção que ele avaliava a longo prazo mas não em 2011.

Rato lembrou também que os preparativos para o estreia na bolsa foram seguidos de perto pelos reguladores, entre eles a Comissão Nacional da Bolsa de Valores.

As ações do Bankia perderam grande parte de seu valor desde seu lançamento e se transformaram na pior cotação do IBEX 35 e a terceira mais desvalorizada de toda a bolsa espanhola, só atrás do Banco de Valencia e da Reyal Urbis.

O governo espanhol decidiu pela nacionalização do BFA-Bankia, solicitada pelo conselho de administração da entidade financeira após a saída de Rato. EFE

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