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Rodrigo Amorim se diz amigo, mas vota contra Witzel em relatório de cassação

Cristian Klein
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Deputado que quebrou placa em homenagem a Marielle era um dos poucos aliados de Witzel Numa indicação da ausência de apoio do governador Wilson Witzel (PSC) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Rodrigo Amorim (PSL) votou a favor do relatório que pede a cassação do mandato do chefe do Executivo. Amorim fez campanha ao lado de Witzel em 2018, quando ficou conhecido por quebrar uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada em março daquele ano. O deputado relatou que o grupo político de Jair Bolsonaro, do qual fazia parte, cogitava lançar seu então amigo e filho do presidente da República, o hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos, ex-PSL), para concorrer ao Palácio Guabanara. A outra opção era lançar o irmão de Flávio, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos, ex-PSC). Amorim e Witzel em um evento de luta na Barra da Tijuca Reprodução Quando Witzel se lançou a presidente da República em 2022, no ano passado, rompendo com a família Bolsonaro, Amorim ficou ao lado do governador e se tornou "persona non grata" entre aliados do presidente. O deputado tem relações de amizade com Witzel, por meio dos filhos que estudam na mesma escola, e disse que nunca escondeu o fato "de ninguém". Mas votou contra o governador nesta quarta-feira, alegando que, com Witzel, "tudo do nosso ideário conservador acabou se dissipando". Amorim, porém, preferiu atribuir a responsabilidade pelo escândalo de corrupção a secretários estaduais e auxiliares próximos do governador. "Os homens públicos devem sempre colocar o público em primeiro lugar", afirmou. Acusado de desvios na área de saúde durante a pandemia, Witzel já teve uma derrota retumbante, por 69 votos a zero, em 10 de junho, quando a Assembleia acolheu o pedido para tramitação do impeachment na Casa. Na comissão processante, o relatório de Rodrigo Bacellar (SDD) foi aprovado por 23 a zero. Amorim (ao centro) e Witzel (à direita) em comício em Petrópolis Reprodução O governador será afastado por 180 dias se 47 deputados (dois terços) do total de 70 parlamentares da Alerj votarem a favor do relatório, o que deve ser alcançado sem dificuldades. Com o afastamento político – o governador já está afastado do cargo por decisão judicial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) –, um tribunal misto será formado com cinco deputados eleitos e cinco desembargadores sorteados, além do presidente do Tribunal de Justiça, para o julgamento definitivo sobre a cassação.