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Rochas mostram a origem da vida na Terra e podem ajudar na busca em Marte

Os estromatólitos, formações geológicas que contém microrganismos de bilhões de anos atrás, podem ajudar os cientistas a buscar formas de vida em Marte. Suspeita-se que estas estranhas rochas, que trazem os indícios dos primeiros seres vivos na Terra, possam ser encontradas no planeta vermelho em ambientes de condições semelhantes às daqui.

Distinguir um estromatólito de uma rocha comum não é uma tarefa fácil. Encontrar evidências de que estas formações têm origem biológica, e não puramente geológica, foi o objeto de estudo de uma equipe de pesquisadores ao analisar uma amostra de 3,5 bilhões de anos atrás, encontrada na Austrália.

Exemplo de estromatólito da Formação de Dresser, no oeste australiano (Imagem: James St. John/Wikimedia Commons)
Exemplo de estromatólito da Formação de Dresser, no oeste australiano (Imagem: James St. John/Wikimedia Commons)

Arqueólogos de bilhões de anos

Segundo o paleontólogo Keyron Hickman-Lewis, do Museu de História Natural do Reino Unido, a investigação assemelha-se à de um arqueólogo. Ao encontrar as ruínas de uma cidade perdida, ele saberia que ela foi construída por humanos por traços como as ruas, portas e tijolos. “Da mesma forma, há vários elementos estruturais característicos dos estromatólitos que nos permite identificar sua formação e decodificar sua origem.”

Colocando dessa forma, parece simples. Mas é mais fácil falar do que fazer: recentemente um candidato ao posto de fóssil mais antigo do mundo, uma rocha de 3,7 bilhões de anos atrás parecida com um estromatólito era, no final das contas… uma rocha.

O estromatólito estudado por Hickman-Lewis e seus colegas data de 3,48 bilhões de anos atrás, 50 milhões de anos antes da amostra que é a atual detentora do título de fóssil mais antigo do mundo. A equipe não encontrou material orgânico mas, as diversas técnicas de imageamento 2D e 3D utilizadas revelaram estruturas condizentes com origens biológicas.

Estromatólitos na Austrália (kjwells86/Envato Elements)
Estromatólitos na Austrália (kjwells86/Envato Elements)

A equipe de cientistas concluiu que, há muito tempo atrás, o estromatólito foi um tapete de microrganismos se proliferando no fundo de uma lagoa rasa no que hoje é o oeste australiano. Conforme camadas de sedimento se acumulavam sobre eles, os micróbios se moviam para cima, buscando a luz necessária para sua fotossíntese.

Vida em Marte?

Mas o que isso tudo tem a ver com a procura por vida em Marte? A Formação de Dresser, local de origem do estromatólito, foi uma esta lagoa cheia de microrganismos primordiais na mesma época em que condições semelhantes eram encontradas em Marte.

Ilustração conceitual da cratera de Jezero em Marte preenchida com água (Imagem: NASA/JPL-Caltech
Ilustração conceitual da cratera de Jezero em Marte preenchida com água (Imagem: NASA/JPL-Caltech

É possível que a Cratera Jezero tenha passado pelos mesmos processos em um período do planeta marciano conhecido como Noachiano. Identificar evidências da vida na Terra nessas condições permite que identifiquemos ela em Marte também.

Além de serem os primeiros registros de vida no nosso planeta. Os estromatólitos podem dar uma sólida referência para as buscas do rover Perseverance na superfície marciana.

Fonte: Canaltech

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