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Futuro da indústria no Brasil preocupa especialistas

·5 min de leitura
AI (Artificial Intelligence) concept. Deep learning. GUI (Graphical User Interface).
Hoje, de olho nesse cenário, muitos especialistas apontam a China como o principal exemplo do que deve ser feito na indústria

A indústria é um setor que está enfrentando um enfraquecimento sistêmico no Brasil, vendo sua participação no PIB cair de 48% em 1985 para 20% em 2020 — o número mais baixo desde 1947, quando começou a contagem pela Confederação Brasileira de Indústria (CNI). Para especialistas, a saída é única para o crescimento da indústria: mais tecnologia.

Afinal, com mais maquinário inteligente nas empresas do setor industrial, sejam elas de micro, pequeno, médio ou grande porte, a produção fica mais simplificada, rápida e barata. Há menos erros, um controle maior da cadeia de produção, todo o processo pode ser digitalizado e, acima de tudo, fica mais fácil ter controle de ponta a ponta em toda indústria.

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“Algumas tecnologias vão ter impacto decisivo no funcionamento de alguns setores. Isso tem impacto de longo prazo e a indústria como um todo vai sofrer esses efeitos”, diz o professor Mauro Rochlin, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas. “Acredito que daqui algumas décadas, uns 50 anos, não teremos mais trabalhadores industriais”.

Importância da tecnologia

Hoje, de olho nesse cenário, muitos especialistas apontam a China como o principal exemplo do que deve ser feito na indústria. O gigante asiático já compra, atualmente, ⅓ de todos os robôs produzidos no mundo. Com crescimento na produção e barateamento de processos, a China tem como objetivo ser a líder da manufatura até a década de 2050.

“Hoje, a indústria brasileira já enfrenta uma carga tributária e de custos altíssima e que impede uma competição mais acirrada”, diz Renato Barata, analista e especialista no setor. “Nossa solução, hoje, é entrar de cabeça na indústria 4.0, que é a digitalização completa dos processos. Um chão de fábrica em que temos mais máquinas do que pessoas”.

Para Renato da Fonseca, economista-chefe da CNI, é questão de vida ou morte. “A indústria precisa ser mais produtiva, mais competitiva ao redor do mundo”, diz o executivo ao Yahoo! Finanças. “Se não entrar no 4.0, vai ser expulsa do mercado. Ainda mais num mercado global. Empresas já estão fazendo isso pela dificuldade de competir aqui dentro”.

Como é a indústria 4.0?

Neste novo momento, há um elemento básico: automação. “Acredito que veremos, cada vez mais, robotização no dia a dia das indústrias. Afinal, empresas que investiram em robotização tiveram crescimento e geraram empregos e aquelas que não investiram em robotização acabam encolhendo”, diz Denis Pineda, gerente regional da Universal Robots.

Esses robôs, porém, nada tem a ver com as máquinas que conhecemos em ‘Star Wars’, ‘Os Jetsons’ e afins. São, na verdade, imensas máquinas conectadas que assumem a produção. Ao invés daquela tradicional cena de Charlie Chaplin em ‘Tempos Modernos’, entram máquinas que fazem o trabalho de uma semana de um ser humano em minutos.

No entanto, a indústria 4.0 que entra como a principal tendência para as próximas décadas está longe de ser apenas robôs. Indústrias terão, cada vez mais, dispositivos conectados que podem gerenciar e mostrar resultados em tempo real de toda a cadeia — desde a obtenção de matéria-prima, passando pela produção em si e até chegar na logística final.

“Acredito que [haja] maturação de soluções em internet das coisas, geoprocessamento e telemetria. Além disso, com a base de dados histórica criada pela alta conectividade de ativos e pessoas, aplicações em inteligência artificial e Big Data se tornarão parte do dia a dia de muito mais áreas”, diz Vinicius Callegari, diretor de operações da GaussFleet.

Por exemplo: uma empresa quer produzir um carro. Para isso, começa com solicitações digitais, e não mais analógicas, dos produtos que precisa para essa fabricação. A partir daí, a outra indústria que produz esses insumos, faz o direcionamento — que pode estar todo baseado em blockchain, para que fabricante e consumidor saibam a origem e precedentes.

Com essa digitalização do setor, outro assunto entra no radar: a possibilidade de acompanhar a qualidade dos produtos mais de perto, assim como mantê-los sustentáveis
Com essa digitalização do setor, outro assunto entra no radar: a possibilidade de acompanhar a qualidade dos produtos mais de perto, assim como mantê-los sustentáveis

Depois, quando esses produtos chegam na montadora de automóveis, mais tecnologia: robôs podem fazer a distribuição por área, além do controle de qualidade por meio de uma inteligência artificial treinada para isso. Depois, o carro entra em produção em uma esteira de montagem toda formada por máquinas, que colocam desde o motor até o banco.

“O mais interessante é que, sendo tudo conectado e tendo uma massa imensa de dados que é gerada a cada parafuso colocado na carroceria, fica fácil para a empresa entender os seus custos, controlar a oferta e até mesmo entender o que pode ser melhorado ou simplificado”, afirma o economista e analista do setor, Pedro Vasconcellos, em entrevista.

Energia limpa e sustentabilidade

Com essa digitalização do setor, outro assunto entra no radar: a possibilidade de acompanhar a qualidade dos produtos mais de perto, assim como mantê-los sustentáveis.

“Surgiu como tendência a demanda por produtos que permitam maior assepsia, propriedade importante no caso do plástico, revelando seu valor. Logística reversa e economia circular estão em pauta, independente do cenário, porque abarcam oportunidades e mudanças necessárias para diversos ganhos”, exemplifica José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), ao Yahoo! Finanças.

Especificamente a Abiplast firmou um convênio, em 2020, com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial para mapear e buscar modelos eficientes de logística reversa de resíduos sólidos urbanos no Brasil. Além disso, mantém, desde 2018, a Rede de Cooperação para o Plástico para aumentar a reciclabilidade das embalagens plásticas e a disponibilidade de resíduos plásticos para a reciclagem — pautas importantes no momento.

“A indústria é sempre muito cobrada, com razão, para melhorar seu cuidado com o meio ambiente”, diz Renato Barata. “Com a Indústria 4.0 chegando com força, não há motivos para deixar isso para trás. Além disso, com tecnologias como o Big Data e o blockchain aplicados na produção, fica até difícil escapar dessa conversa sustentável e ambiental. Afinal, a história do pote plástico, daquele carro, daquele celular estará na tecnologia”.

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