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Por que os traders devem se preocupar com os robôs na próxima década

Foto: Getty Images

Os poderosos robôs algorítmicos que dominaram os mercados do mundo inteiro na última década – e criaram variações absurdas no preço dos ativos – provavelmente serão uma força ainda maior na próxima década.

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Não há dúvidas sobre o resultado disso: operar em mercados de ações será ainda mais difícil para a maioria.

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"Toda a infraestrutura do mercado está mudando", afirmou Tom Essaye, trader veterano e fundador do Sevens Report Research, ao "The First Trade", programa do Yahoo Finanças.

Segundo Essaye, "todas as pessoas, principalmente os traders, terão que se acostumar com essa volatilidade extrema no curto prazo. Além disso, será necessário encontrar alguma forma de agregar esse fenômeno aos planos de trade e descobrir como administrar isso em termos de gestão de risco".

Ele ainda acrescentou: "O mercado está ficando mais volátil no curto prazo sem motivos sólidos. Isso pode afetar o desempenho no longo prazo e até chegar a tirar alguns traders do jogo".

Sem dúvida, os mercados na década passada redefiniram a forma de abordar o investimento e a especulação com ações.

A ascensão dos algoritmos de trade levou os traders a abandonar práticas antigas, como fazer análises de valor simples em busca de papéis sobrevendidos ou sobrecomprados. Para alguns, destrinchar transcrições de teleconferências de resultados em busca de indícios de ganhos futuros ou ligar para equipes de gestão já se tornaram práticas tão ultrapassadas quanto o primeiro iPhone lançado pela Apple.

No lugar dessas atividades aparentemente primitivas entraram programas que analisam feeds de notícias em tempo real e negociam ações de acordo com o teor das manchetes. Quase não há interação humana nesse caso. Por isso, os ganhos das operações de alto volume são amplificados pelo efeito manada dos algoritmos.

Os últimos dez anos mostraram que essas operações de alto volume podem ser revertidas em um instante a cada nova manchete analisada pelas máquinas.

Além disso, é claro, também existem algoritmos que acionam trades de acordo com tweets, no Twitter. Isso foi marcante em 2019, quando houve muita volatilidade no preço das ações. Os frequentes ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Federal Reserve (banco central americano) e a alternância entre pânico e euforia no mercado por causa do acordo comercial entre Estados Unidos e China foram algumas das razões dos movimentos bruscos nas cotações.

Em um estudo feito em setembro, o JP Morgan Chase observou que, nos dias em que Trump publicou mais de 35 tweets, o mercado de ações recuou levemente. Já nos dias em que Trump tuitou menos de 35 vezes, em geral, as ações subiram.

Por isso, de certa forma, os investidores deveriam agradecer aos algoritmos por criar esse efeito manada de alta volatilidade no mercado. Além disso, o argumento de Essaye tem mais um ponto importante: quem atua no mercado e acha que entender o comportamento padrão dos algoritmos não vai ser tão difícil nesta década vai pagar um preço alto.

Os programas de trade devem se tornar ainda mais sofisticados com o avanço do poder de processamento dos computadores e o fortalecimento dos recursos em nuvem. Nesse meio tempo, o mercado de trade algorítmico mundial deve se expandir vertiginosamente, a uma taxa de crescimento anual composta de 11,1%, alcançando US$ 18,8 bilhões entre 2019 e 2024, de acordo com a empresa de pesquisa MarketsandMarkets.

Então, se preparem, traders.