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Robinho no Santos: 'Lamentável', define coordenador de campanha apoiada pelo clube há dois anos

Rafael Oliveira
·3 minutos de leitura
Santos, que contratou Robinho, costuma apoiar ações de combate à violência contra as mulheres
Santos, que contratou Robinho, costuma apoiar ações de combate à violência contra as mulheres

O Santos oficializou pela terceira vez nos últimos seis anos o retorno de Robinho. Como das outras vezes, o anúncio foi feito com a pompa de quem repatria um ídolo. Só que a repercussão não foi a mesma. O atacante chega com uma condenação em primeira instância na Justiça italiana por participação em estupro coletivo. Nas redes sociais, o clube foi criticado tanto por torcedores rivais como pelos seus próprios. A maioria acusa a diretoria de hipocrisia, já que os santistas são muito engajados em campanhas contra a violência de gênero.

A contratação chamou a atenção das próprias entidades que costumam atuar em parceria com os clubes de futebol. Foi o caso do projeto “HeForShe” (Ele para ela, em português), coordenado pela ONU Mulheres — braço da entidade multinacional voltado para a defesa da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres. No Brasil, times como a dupla Grêmio e Internacional já levantaram suas bandeiras. Assim como o próprio Santos.

— Acho lamentável um clube da importância do Santos ter feito uma contratação como essa. Num país onde a cada 11 minutos uma mulher é estuprada e a cada sete horas perde a vida por feminicídio, isso é um símbolo muito ruim — avalia o deputado estadual Edegar Pretto (PT-RS), membro do “HeForShe” no Brasil e coordenador do comitê gaúcho.

A ação com o Santos foi realizada em 2018, como homenagem ao Dia Internacional das Mulheres. Os jogadores entraram em campo com uma faixa que dizia “Se a mulher disse não, significa que ela disse não para você”.

— As ações afirmativas feitas pelos jogadores, que são ídolos, têm uma potência extraordinária. Especialmente porque atingem justamente quem precisa escutar e participar deste debate, que são os homens.

Robinho foi condenado a nove anos de prisão pelo estupro de uma jovem albanesa em 2017. A Justiça italiana, que possui ainda mais duas instâncias, definiu que ele pode recorrer em liberdade. O crime ocorreu em 2013, época em que o atacante defendia o Milan (ITA). Quatro anos antes, quando atuava pelo Manchester City (ING), ele já fora acusado de violentar uma mulher numa boate. Mas foi absolvido.

— A violência contra a mulher e a violência sexual, conforme a primeira condenação do atleta, são chagas que precisam ser combatidas com esforços mais concretos por parte dos países — opinou Renata Gil, presidente da Associação de Magistrados do Brasil, que coordena a campanha Sinal vermelho, direcionada ao combate à violência de gênero e encampada no jogo entre Vasco e Atlético-GO, há um mês:

— A condenação do jogador na Itália não é definitiva. Ele aguarda decisão sobre um recurso, pela informação que tivemos. Se a Justiça italiana confirmar a condenação, a punição deverá ser rigorosamente aplicada.

É justamente na presunção de inocência que a advogada do atleta se apega para defender sua contratação. Responsável pela negociação com o Santos, Marisa Ajila publicou um vídeo na internet no qual defende que o jogador não pode ser considerado culpado enquanto houver recurso.

O problema é que, ao repatriar o atacante de 36 anos, o Santos mistura duas mensagens antagônicas. O mesmo clube que pede o fim da violência contra as mulheres não fez qualquer menção ao processo de Robinho. E tratou seu retorno apenas como a volta do “Rei das pedaladas”, referência ao drible que o tornou famoso.

— Robinho não está condenado com trânsito em julgado. Quem somos nós para atirar pedra no Robinho? Atire a primeira pedra quem nunca pecou. E será que ele pecou? Vamos esperar o desfecho do processo — defendeu o presidente do Santos, Orlando Rollo, à Folha de S.Paulo.