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Capitã brasileira sonha com críquete na Olimpíada de 2028 e vê menos machismo na modalidade

Fernando Del Carlo
·6 minuto de leitura
Seleção Brasileira Feminina de Críquete (Twitter/@MorettiAvery)
Seleção Brasileira Feminina de Críquete (Twitter/@MorettiAvery)

A jogadora de críquete Roberta Moretti Avery, de 35 anos, é a primeira capitã de uma seleção feminina profissional no Brasil. Ela disputa o esporte criado pelos ingleses, que é considerado o segundo mais popular do mundo após o futebol e pode retornar à Olimpíada de Los Angeles em 2028. A última vez que o esporte esteve nos Jogos foi em Paris-1900, sendo logo depois retirado do quadro por não ter regras claras. E ficou registro do confronto único na última edição entre britânicos e franceses.

>> Ouça o 'Segunda Bola', o podcast do Yahoo com Alexandre Praetzel e Jorge Nicola

No momento, o Conselho Internacional de Cricket (ICC) mantém diálogo com o COI (Comitê Olímpico Internacional) para incluir a modalidade no programa da futura olimpíada nos EUA. Há indefinição na disputa dos formatos T-20 (120 bolas e cerca de três horas de duração ou com 100 bolas - o Hundred) e o T-10, que tem duração de 90 minutos.

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O esporte se notabilizou em manchetes na imprensa por jogos que se arrastavam por dias. Foco já distante algum tempo das competições da atualidade. Em 1939, foi realizada a emblemática partida entre África do Sul e Inglaterra. Durou 12 dias sem vencedores. Algo impraticável na configuração no mundo contemporâneo e acelerado.

No caso do Brasil, o grupo de mulheres comandado por Moretti ocupa o 27º lugar no ranking mundial e traz na bagagem o tetracampeonato sul-americano. A mineira tem todo suporte da Cricket Brasil, associação que mantém o esporte a pleno vapor no país. Ano passado, em meio à pandemia do coronavírus, o roteiro teve de ser alterado. Paralisadas as competições, o cronograma retoma apenas em setembro próximo com a classificatória das Américas para a Copa do Mundo que acontecerá nos Estados Unidos. Algo ainda uma incógnita já que o mundo sofre muito com a Covid-19.

As brasileiras enfrentarão Estados Unidos, Canadá e Argentina. Obter êxito neste evento significa abrir espaço para vaga no projeto que deixará o sonho se tornar realidade: a Olimpíada.

Para atingir o posto com o desafio de liderar o time de sucesso, Roberta percorreu trajetória arrojada e cujo histórico revela mais que resiliência. No meio do caminho, há sete anos, surgiu a doença: tumor maligno na tireoide.

Na infância, praticou o golfe (seguindo os passos) dos pais e ao mesmo tempo jogou handebol. Posteriormente, veio o estímulo para o críquete com o marido, que foi chamado para tocar um projeto em Poços de Caldas, cidade onde ela nasceu.

Segundo Roberta, em 2014 “fiquei alguns meses sem poder praticar nada e foi um retorno de muita dificuldade. Apesar da cirurgia e tratamento serem simples, o ajuste hormonal necessário depois do procedimento hospitalar foi trabalhoso.” A experiência fez mudar sua vida drasticamente ao perceber a questão de saúde influindo também no desempenho da atleta. “Passei a me consultar com nutricionista, cuidar do físico de verdade e passei os melhores anos da minha carreira ora no golfe quanto no críquete.”

A seguir mais de detalhes sobre Roberta Moretti Avery, que é formada em Educação Física e Comércio Exterior, desenvolve projeto às crianças, adora pets e é vegetariana:

Yahoo Esportes - Como é ser capitã da seleção brasileira? É preciso alguma habilidade de liderança para exercer o posto?

Roberta Avery - Essa é uma pergunta interessante, porque a figura do capitão no críquete é diferente do capitão no futebol por exemplo. No críquete, a capitã toma as decisões relacionadas à ordem de arremessadores, rebatedores, posicionamento de campo junto com o técnico, mas o principal é entender como trazer o melhor de cada atleta no momento dos jogos, dos treinos e entender como cada pessoa pode ajudar seu time. E eu amo esse trabalho. Sou Capitã desde 2017 e quis deixar a equipe mais parecida com os valores que estávamos desenvolvendo no projeto do Cricket Brasil e hoje vemos uma mudança bastante grande no perfil das jogadoras. Nessa posição, a principal na liderança é mostrar pelo exemplo e aprender a ouvir e falar com seus companheiros e comissão técnica. Ainda estou desenvolvendo melhor cada um desses pontos, mas adoro esse aprendizado.

Fale do projeto que desenvolve com crianças em Poços de Caldas.

Ele começou em 2011 com uma turma de 26 crianças em um orfanato local. Hoje temos 4700 crianças jogando críquete semanalmente e mais de 50 projetos com equipe de 16 pessoas no desenvolvimento. Cricket Brasil, que nada mais é que nossa Confederação é o gestor do projeto que é realizado pelo Cricket Poços de Caldas. O foco principal se chama Cricket na Comunidade, que vai até escolas públicas e projetos sociais no município para levar aulas de críquete, e agora em 2021 abrimos também o Cricket Para Todos, que é centrado em escolas com crianças com deficiência. Ele é a base para as seleções sub-13, sub-17 e sub-19 masculina e feminina, além de 80% das jogadoras profissionais da equipe feminina. Há também um projeto chamado Camisetas Pretas, onde jogadores são selecionados para cursar Educação Física através do Cricket para se tornarem professores qualificados no projeto. Em 2021, o intuito é expandir o projeto para o estado de SP replicando o realizado aqui no sul de Minas. É um projeto sensacional. Minha descrição não faz jus a tudo que acontece aqui na cidade com o críquete para a comunidade.

Há ainda uma visão machista no Brasil em relação ao esporte?

Há. Desde o início das aulas de Educação Física no Ensino Fundamental é criado um paradigma que esporte não é para garotas e isso se intensifica no Ensino Médio. Além de uma série de pontos que fazem com que isso aconteça: desde a evolução dos meninos serem mais expansiva perto dos 14-15 anos (meninos ficam mais fortes e mais rápidos que meninas da mesma idade) e a falta de bom gerenciamento pelos professores e colégios quanto a essas alterações, até mesmo problemas de falta de ídolos mulheres – meninas não irão acreditar que pode ser possível ser uma atleta fenomenal se aquele caminho não estiver visível para ela. Você não pode ser aquilo que você não pode ver!

E esses pontos acabam com um alicerce do esporte feminino em várias fontes. O que é um desperdício, pois meninas que praticam esportes e enfrentam situações de superação nesse ambiente, têm mais chances de se tornarem mulheres confiantes, com autoestima elevada e também acreditarem na evolução pessoal e profissional na vida adulta. O esporte é empoderamento, além de saúde e socialização!

Nós temos a sorte do críquete ter um trabalho diferenciado no Brasil – aqui o esporte é para todos e valorizado para todos. Meninos e meninas têm aulas juntos e a participação por gêneros tem porcentagem muito aproximada. Então o lado machista não aparece dentro do críquete e vemos meninas se tornando mulheres confiantes através do esporte.

Quais são as melhores seleções de críquete no mundo (masculino) e (feminina)?

Há países de muita tradição no ranking mundial: Inglaterra, Índia, Austrália, África do Sul, West Indies [Confederação Desportiva do Caribe multinacional representada por 15 países na região do Mar do Caribe] – a dominância deles é no cenário feminino e masculino. Hoje, a Austrália tem uma liga feminina muito forte e é o melhor time internacional entre as mulheres. No masculino, Inglaterra e Índia.