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Robô esférico pode ser usado para explorar o interior de cavernas lunares

Danielle Cassita
·2 minuto de leitura

A Agência Espacial Europeia (ESA) está analisando conceitos de missões para investigar as cavernas lunares. Um destes conceitos é a missão Descent And Exploration in Deep Autonomy of Lunar Underground Structures (DAEDALUS), que consiste em um robô esférico e equipado com sensores. O projeto, criado por uma equipe coordenada pela universidade Julius-Maximilians-Universität of Würzburg (JMU), poderá ser usado em futuras missões da agência.

As sondas orbitais que estudam a Lua já identificaram algumas aberturas na superfície lunar, que possivelmente são “claraboias” no topo de tubos de lava. Essas cavernas são ambientes de grande interesse para o planejamento de missões presenciais: além de serem excelentes locais para coletar amostras, elas também podem guardar recursos importantes, como a água, que pode ser usada tanto para o suporte à vida de astronautas em missões na Lua quanto para a produção de combustível no local.

Abertura em Marius Hills, que pode ser uma claraboia sobre um tubo de lava (Imagem: Reprodução/NASA/GSFC/Arizona State University)
Abertura em Marius Hills, que pode ser uma claraboia sobre um tubo de lava (Imagem: Reprodução/NASA/GSFC/Arizona State University)

Estes ambientes também podem servir como habitats para proteger tripulações de impactos de micrometeoritos e radiação. Mesmo assim, o problema é que a maior parte delas tem abertura na parte superior, o que torna bastante difícil o acesso com rovers. Assim, a equipe propõe usar o robô esférico DAEDALUS para descê-lo através destas “claraboias”, sustentado por um fio. O robô teria 46 cm de diâmetro e estaria equipado com uma câmera estereoscópica, além de um sistema de LIDAR para mapear o interior da caverna.

Depois, quando estiver em solo, o robô pode se desconectar para se mover rolando, impulsionado por hastes extensíveis que também podem ser usadas para liberar o caminho de obstáculos e analisar as propriedades de rochas. O fio que o sustenta também serviria como um receptor Wi-Fi para manter a comunicação com a Terra, enquanto o robô segue realizando mapeamentos da caverna com seu LIDAR, medindo temperaturas e radiação.

Representação do robô DAEDALUS (Imagem: Reprodução/Julius-Maximilians-University)
Representação do robô DAEDALUS (Imagem: Reprodução/Julius-Maximilians-University)

Dorit Borrmann, da equipe DAEDALUS, explica que o robô foi criado com um design pensado na necessidade de observar os arredores, contando com visão de 360º, além de ser protegido das condições do ambiente lunar: “com as câmeras funcionando como um sistema de visão estéreo e as medidas de distância a laser, a esfera detecta obstáculos durante a descida e navega autonomamente até chegar ao fundo”, finaliza.

Por enquanto, três protótipos foram construídos para testes do sensor e de sistemas de locomoção, e um quarto foi criado como um dispositivo compacto e integrado, com carga útil complementar e alto grau de autonomia. Este é um conceito de exploração de cavernas lunares passando por avaliações nas instalações da Concurrent Design Facility, e a ESA seguirá analisando as propostas enviadas. A agência espacial deverá selecionar algumas delas para compor as diferentes etapas de missões de exploração lunar.

Fonte: Canaltech

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