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Robô assistente CIMON-2 recebe atualização e guiará experimentos na ISS

·3 minuto de leitura

O simpático robô CIMON-2 (sigla de Crew Interactive Mobile Companion) está na Estação Espacial Internacional (ISS) desde o fim da missão do astronauta europeu Luca Parmitano, concluída em fevereiro de 2020. Agora, a esfera flutuante recebeu uma atualização de software e está pronta para uma nova missão com outro colega humano que, desta vez, será o astronauta Matthias Maurer, que deve chegar à ISS em outubro. Agora, o CIMON-2 será o foco de um estudo científico piloto, em que o robô irá ajudar em tarefas rotineiras e documentar atividades científicas complexas.

O CIMON-2 é o sucessor do CIMON, um robô que tem uma cabeça impressa em 3D e conta com a inteligência artificial Watson, da IBM, desenvolvida para testar as interações entre humanos e máquinas no espaço. Assim, ele ficava flutuando pelo laboratório orbital à disposição dos astronautas, pronto para exibir instruções, gravar vídeos, tocar músicas e até encontrar objetos perdidos na estação. Ele voltou para a Terra em 2019 e teve grande sucesso durante sua operação inicial no espaço — e foi aí que a equipe criou o CIMON-2, uma versão aprimorada do robô.

O robô CIMON interagindo com o astronauta Alexander Gerst, da Agência Espacial Europeia (Imagem: Reprodução/ESA/NASA)
O robô CIMON interagindo com o astronauta Alexander Gerst, da Agência Espacial Europeia (Imagem: Reprodução/ESA/NASA)

Esta nova versão ganhou melhorias, como aprimoramentos no senso de direção e na interpretação de emoções para que não fosse somente um assistente científico, mas também um “companheiro empático”. Assim, o CIMON-2 trabalhou junto de dois astronautas europeus em missões anteriores e, desde então, os engenheiros trabalharam em melhorias para aprimorar a conexão dele com a Terra para oferecer serviços mais eficientes à tripulação. “A esfera é só a parte visível”, explicou Till Eisenberg, gerente de projeto do CIMON na Airbus. “Todo o reconhecimento de voz e inteligência artificial acontecem na Terra, no data center da IBM em Frankfurt, na Alemanha”.

Segundo Eisenberg, o sinal do CIMON precisa viajar entre satélites e estações em solo, que o transmitem ao centro, e depois retorna. A ideia da equipe é melhorar a robustez dessa conexão para evitar falhas. Como o robô conta com o software WATSON, de reconhecimento e síntese de voz, desenvolvido pela IBM, o CIMON-2 consegue maior sintonia com as emoções dos astronautas graças ao serviço Watson Tone Analyzer, que analisa emoções e entonações, e tem tempo de reação mais curto. “Durante as primeiras etapas do processo de desenvolvimento, tínhamos um atraso de cerca de 10 segundos, o que não era muito conveniente”, comentou Eisenberg.

Com as melhorias da arquitetura de software, a equipe conseguiu reduzir esse tempo para dois segundos e quer eliminar atrasos que ocorrem com a interrupção da conexão. Tudo isso será colocado em prática em breve: a Airbus (fabricante do CIMON) e o Centro Aeroespacial Alemão, já fecharam um contrato com a Agência Espacial Europeia (ESA) para o CIMON-2 trabalhar com quatro humanos na ISS nos próximos anos para testar o novo software e envolver o CIMON-2 em experimentos mais complexos.

Assim, a ideia é que o CIMON-2 possa, pela primeira vez, guiar e documentar procedimentos científicos completos. “A maioria das atividades realizadas pelos astronautas são cobertas por procedimentos passo a passo”, disse Eisenberg. “Normalmente, eles têm que usar pranchetas para seguir os passos, mas o CIMON pode liberar as mãos deles flutuando por perto, ouvindo os comandos e lendo os procedimentos, mostrando fotos, vídeos e esclarecimentos na tela”, disse. Por enquanto, o robô foi treinado somente para navegar no módulo europeu Columbus, utilizando pequenos jatos de ar para se deslocar.

Futuramente, a equipe espera tornar o CIMON-2 independente do data center na Terra, já que em missões para destinos mais distantes, como a Lua e Marte, seria impossível esperar o processamento da fala na Terra. “Já existe poder computacional suficiente a bordo da estação para dar suporte ao CIMON, é apenas questão de compartilhar esses recursos computacionais”, afirmou Eisenberg. “Mas queremos começar a trabalhar paralelamente no CIMON-3, que pode conseguir usar serviços diretamente a bordo sem precisar de conexão com o solo”. Durante as próximas missões, os cientistas vão coletar feedbacks dos astronautas para identificar melhorias para versões futuras do CIMON-2.

Fonte: Canaltech

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