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Ata do Fed mostra novas altas de juros à frente, mas talvez em menor ritmo

O prédio do Federal Reserve, na Constitution Avenue, em Washington, EUA, 27 de março de 2019. REUTERS/Brendan McDermid

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - Autoridades do Federal Reserve viram "poucas evidências" no fim do mês passado de que as pressões inflacionárias nos EUA estavam diminuindo e se prepararam para forçar a economia a desacelerar o quanto for necessário para controlar o aumento dos preços, de acordo com ata de sua reunião de política monetária de 26 e 27 de julho.

Embora não tenha insinuado explicitamente um ritmo específico para os próximos aumentos de juros, a começar pelo encontro de 20 e 21 de setembro, a ata divulgada nesta quarta-feira mostrou autoridades comprometidas em aumentar as taxas ao patamar necessário para controlar a inflação e reconhecendo que terão de atuar por menos gastos e menor crescimento geral para que isso aconteça.

Na reunião de julho, as autoridades do Fed observaram que, embora algumas partes da economia, principalmente a habitação, tenham começado a desacelerar sob o peso das condições de crédito mais apertadas, o mercado de trabalho permaneceu forte e o desemprego atingiu um nível mínimo quase recorde.

Na métrica que mais importa, no entanto, as autoridades do Fed, pelo menos no fim de julho, haviam registrado pouco progresso.

"Os participantes concordaram que havia poucas evidências até o momento de que as pressões inflacionárias estavam diminuindo", disse a ata.

Embora alguma redução da inflação possa ocorrer por meio de melhorias nas cadeias de suprimentos globais ou quedas nos preços de combustíveis e outras commodities, parte do trabalho pesado também teria de vir de custos de empréstimos mais altos a famílias e empresas.

"Os participantes enfatizaram que uma desaceleração na demanda agregada desempenharia um papel importante na redução das pressões inflacionárias", disse a ata.

O ritmo dos aumentos futuros dependerá, segundo a ata, dos dados econômicos recebidos, bem como das avaliações do Fed de como a economia está se adaptando às taxas mais altas já em curso.

Alguns participantes disseram sentir que os juros terão de atingir um "nível suficientemente restritivo" e permanecer lá por "algum tempo" para controlar a inflação, que está na máxima em quatro décadas.

Em um vislumbre do debate emergente no banco central, "muitos" participantes também notaram o risco de que o Fed "possa apertar a postura da política (monetária) mais do que o necessário para restaurar a estabilidade de preços", o que, segundo eles, torna a sensibilidade aos próximos dados o ponto mais importante.

PRÓXIMOS DADOS

O Fed elevou sua taxa de juros de referência de um dia em 225 pontos-base neste ano, para uma faixa de 2,25% a 2,50%. O banco central deve aumentar o custo dos empréstimos no próximo mês em 50 ou 75 pontos-base.

Para que o Fed abrande seus aumentos de juros, dados de inflação a serem divulgados antes da próxima reunião provavelmente precisarão confirmar que a velocidade dos aumentos de preços está arrefecendo.

Dados desde a reunião de política monetária do Fed em julho mostraram que a inflação anual ao consumidor diminuiu naquele mês para 8,5%, de 9,1% em junho, fato que justificaria o aumento menor do juro, de 50 pontos-base, no próximo mês.

Mas outros dados divulgados nesta quarta-feira mostraram por que isso continua sendo uma questão em aberto.

O núcleo das vendas no varejo dos EUA, que corresponde mais de perto ao componente de gastos do consumidor dentro do PIB, veio mais forte do que o esperado em julho.

Esses dados, juntamente com o choque de que a inflação ultrapassou a marca de 10% no Reino Unido, parecem ter levado investidores em futuros vinculados à taxa de juros do Fed a mudar as apostas em favor de um aumento de 75 pontos-base no próximo mês.

O crescimento do emprego e dos salários em julho superou as expectativas, e um recente rali do mercado de ações pode mostrar uma economia ainda muito "aquecida" para o conforto do Fed.