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Riscos de calote da China Evergrande mudam foco para possível resgate pelo governo chinês

·2 minuto de leitura
Prédio da China Evergrande em Hong Kong

Por Clare Jim e Anshuman Daga e Kane Wu

HONG KONG/NOVA YORK (Reuters) - Temores persistentes de calote ofuscaram os esforços do presidente do China Evergrande Group para melhorar a confiança na empresa nesta terça-feira, enquanto o governo chinês não deu sinais de que vai intervir para evitar qualquer efeito dominó na economia global.

Analistas minimizaram a ameaça de os problemas da Evergrande se tornarem o "momento Lehman" da China, embora haja nos mercados preocupações com os riscos de contágio de um colapso desordenado daquela que já foi a incorporadora de maiores vendas da China.

Em um esforço para retomar a confiança na empresa, o presidente da Evergrande, Hui Ka Yuan, disse em carta aos funcionários que a empresa está confiante de que "sairá de seu momento mais sombrio" e apresentará projetos imobiliários como prometido.

Na carta, que coincide com o festival de meio de outono na China, o presidente também disse que a Evergrande vai cumprir as responsabilidades com os compradores, investidores, parceiros e instituições financeiras.

"Eu acredito fortemente que com seu esforço conjunto e trabalho duro, a Evergrande sairá de seu momento mais sombrio, retomará as construções em escala total o mais rápido possível", disse Hui, sem dar detalhes sobre como a empresa vai alcançar esses objetivos.

Os investidores, entretanto, permaneceram cautelosos. As ações da empresas chegaram a cair 7%, depois de queda de 10% no dia anterior, diante dos temores de que seus 305 bilhões de dólares em dívida possam provocar perdas disseminadas no sistema financeiro da China no caso de um colapso. O papel terminou o pregão com perdas de 0,4%.

"Se for permitido o default de uma parte da dívida da Evergrande, isso provocará questões sobre toda a dívida remanescente com os investidores e o governo não quer uma crise mais ampla como essa", disse o diretor gerente da Orient Capital Research.

O governo chinês não se pronunciou sobre a crise da Evergrande nas últimas semanas.

O governo chinês vai ajudar a Evergrande ao menos a conseguir algum capital, mas ela pode ter que vender alguma participação a um terceiro, como empresas estatais, disse o banco holandês ING em nota.

Analistas do Citi disseram que os reguladores podem "comprar tempo para digerir" o problema da Evergrande orientando os bancos a não retirarem o crédito e ampliarem o prazo para o pagamento da dívida.

(Reportagem de Svea Herbst-Bayliss, Clare Jim, Tom Westbrook, Alun John e Anshuman Daga)

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