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Risco-país da Argentina cai pelo 2º dia; peso se estabiliza

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BUENOS AIRES (Reuters) - O risco-país da Argentina diminuía nesta quinta-feira pelo segundo dia consecutivo, e o peso começou o dia sem variações significativas, com os novos controles de capital do governo ajudando a estabilizar os mercados.

O risco-país caía 140 pontos-base, para 2.000 pontos-base, depois de alcançar os níveis mais altos desde 2005. O peso <ARS=RASL> abriu em leve baixa de 0,14%, a 56,10 por dólar, disseram operadores. O índice de ações da S&P Merval, referência para o mercado argentino, tinha alta de mais de 5,5% no início do pregão.

"Após o abrupto colapso, os ativos argentinos em uma recuperação técnica, já que operadores procuram tomar algumas posições seletivamente, apostando na excessiva fraqueza acumulada (de títulos e ações)", disse o economista Gustavo Ber, da empresa local Estudio Ber.

O peso se manteve firme na quarta-feira, e os títulos subiram, depois que os controles de capital recém-impostos ajudaram a estabilizar os fragilizados mercados, que tombaram a mínimas recordes desde que o presidente Mauricio Macri foi derrotado em uma eleição primária no mês passado, frustrando suas esperanças de reeleição em outubro.

O resultado primário das eleições na Argentina provocou um crash no mercado, com o peso perdendo 26% do seu valor em relação ao dólar em agosto. O risco-país disparou, e os preços dos títulos caíram para mínimas históricas.

Em resposta, Macri --que chegou ao poder em 2015 como defensor do livre mercado e crítico de políticas intervencionistas-- anunciou planos para adiar pagamentos de cerca de 100 bilhões de dólares em dívidas e impôs controles de capital para proteger o peso.

Embora os mercados mostrem sinais de acomodação, as perspectivas econômicas para o país ficam ainda mais sombrias.

Uma pesquisa do banco central com economistas mostrou na terça-feira alta na previsão de inflação para o ano a 55%. Os resultados revelaram ainda piora na estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que deverá encolher 2,5%.

(Reportagem de Jorge Otaola e Walter Bianchi)