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Risco do coronavírus para a atividade econômica pressiona juros futuros

Victor Rezende

A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 4,20%, no ajuste anterior, para 4,155% e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,19% para 6,11% Os temores relacionados à disseminação do novo coronavírus (Covid-19) e ao impacto econômico da doença geraram oscilações bruscas no mercado de juros futuros nesta quinta-feira (27). No fim da sessão regular, porém, as taxas exibiam queda firme de ponta a ponta da curva a termo, com redução de prêmio mais expressiva nos vértices intermediários.

No fim do pregão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caiu de 4,20%, no ajuste anterior, para 4,155%; a do DI para janeiro de 2022 cedeu de 4,76% para 4,65%; a do contrato para janeiro de 2023 recuou de 5,37% para 5,28%; e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,19% para 6,11%. Durante a manhã, o dólar atingiu a máxima histórica de R$ 4,5016, mas arrefeceu os ganhos ao longo do dia e, por volta de 16h, subia 0,68%, negociado a R$ 4,4709.

De acordo com operadores, o mercado de juros se movimentou de forma mais intensa reagindo a fluxos pontuais, principalmente no miolo da curva (nos vencimentos de janeiro 2022 e janeiro de 2023), justamente pelo fato de o mercado estar mais leve nas posições de prefixados. Os movimentos nos DIs também foram influenciados pelas possíveis ações de bancos centrais ao redor do mundo na tentativa de mitigar efeitos do novo coronavírus na economia.

“Acredito que os efeitos da doença sobre a demanda agregada tendem a prevalecer e, nesse cenário, haveria espaço para um certo afrouxamento monetário”, afirmou o economista-chefe da Guide Investimentos, João Maurício Rosal. Para ele, esse seria um cenário que já é visto em outras economias. Nos Estados Unidos, por exemplo, o CME Group indicava, durante a tarde, 67,5% de possibilidade de uma redução na taxa dos Fed funds já no mês que vem.

Por aqui, o Bank of America revisou para baixo a projeção para o PIB brasileiro. Agora, o banco espera uma expansão de 1,9% este ano ante um crescimento de 2,2% esperado anteriormente. No Credit Suisse, a expectativa de 2,5% em dezembro agora é de 2,3%. Já o J.P. Morgan revisou, na quarta (26), sua projeção para o crescimento brasileiro de 1,9% para 1,8% em 2020.

O noticiário relacionado ao vírus continuou pessimista. Durante a tarde, o governo da Califórnia confirmou 33 novos casos da doença e disse monitorar 8,4 mil pessoas. Também hoje, a França disse confirmou um total de 38 casos da doença e o Kuwait, 43.

Efeito dólar

Com o coronavírus no centro das atenções, o dólar subiu a R$ 4,50 na máxima do dia e puxou para cima as taxas futuras de prazo mais longo. Ao longo do pregão, porém, o mercado de juros se acomodou. Em relatório enviado a clientes, os estrategistas do Morgan Stanley notam que a ponta curta da curva tem permanecido ancorada “já que os mercados têm respondido a crescentes preocupações de crescimento e ao primeiro caso de Covid-19 na América do Sul, confirmado pelo governo brasileiro”. O banco americano também nota que as correlações mais amplas entre o câmbio e os juros futuros continuam baixas.