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Rios mais secos afetam embarques agrícolas na América do Sul

Fabiana Batista e Jonathan Gilbert
·5 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O clima seco na América do Sul que impulsiona os preços do milho e da soja para níveis recordes não ameaça apenas as safras, mas também a capacidade de transportá-las em hidrovias que começam a secar.

Nos rios cada vez mais rasos que fluem pelo Brasil, Argentina e Paraguai, principais países produtores, as barcaças agora transportam um volume abaixo do normal. A situação é tão desesperadora no Paraguai que o país pediu ao Brasil que libere água da hidrelétrica de Itaipu, em meio a navios encalhados e congestionamentos nos portos fluviais porque as barcaças não podem se mover. Em um trecho importante na Argentina do Rio Paraná, cuja extensão total é de 4.900 quilômetros, a incerteza sobre a operação de dragagem pode dificultar ainda mais embarque das colheitas por agricultores.

A crise hidroviária da região destaca o impacto crescente do clima quente sobre a oferta agrícola global que levanta o espectro da inflação de alimentos em um momento de forte demanda liderada pela China. A situação tende a piorar, porque a estação seca acaba de começar. A Argentina, maior exportador mundial de farelo para ração e óleo de soja, embarca cerca de 80% de sua produção agrícola pelos rios. No Paraguai, sem saída para o mar e terceiro maior produtor de soja da região, cerca de 80% do comércio do país passa por hidrovias do interior.“Este será um ano difícil para navegação”, disse Esteban dos Santos, presidente do Centro de Armadores Fluviais e Marítimos do Paraguai, onde a terceira maior frota de barcaças fluviais do mundo depois dos Estados Unidos e da China navega em rios agora 3 metros abaixo do normal. “Os canais de navegação estão cada vez menores e mais rasos.”

Perto da barragem de Yacyretá, no Paraguai, barcaças carregadas com soja para exportação estão paradas aguardando as águas subirem. A profundidade do Rio Paraná precisa ser de pelo menos 95 centímetros para a navegação, mas atualmente está em um terço disso, disse Dos Santos. A navegação está interrompida desde o início de abril devido à seca. Congestionamentos semelhantes estão se formando em outras partes do país.A bacia que compreende os rios Paraná e Paraguai e seus afluentes recebe os fluxos principalmente de nascentes na região Centro-Sul do Brasil, onde a seca tem pressionado os preços de commodities agrícolas como milho, café e açúcar. Mesmo em trechos onde as embarcações conseguem navegar, estão carregando menos carga para reduzir o calado.Em Rosário, um importante centro de embarque da Argentina no Rio Paraná, onde grandes navios carregam as exportações antes de seguirem para o Oceano Atlântico, os níveis de água devem cair para cerca de 1,17 metro esta semana. A média histórica para esta época do ano é de 3,58 metros. A situação se agrava a cada ano por causa das contínuas secas no Brasil, com precipitações insuficientes no período das chuvas para reabastecer os rios.

“Vai ser muito difícil”, disse Guillermo Wade, gerente da Câmara de Atividades Portuárias e Marítimas CAPyM em Rosário. “Teremos níveis de água rasos que afetarão a possibilidade de carregar navios com calados mais baixos.”

A diminuição de um pé no calado máximo do navio - a distância vertical entre a parte inferior da quilha e a linha de flutuação - representa uma perda de 1.800 a 2.200 toneladas de capacidade de carga, dependendo do navio, segundo Wade.

Para piorar a situação na Argentina, a dragagem do Rio Paraná está à beira de uma crise. Um contrato do governo com uma joint venture liderada pela Jan De Nul, empresa belga que faz a escavação no leito do rio e que tem trabalhado horas extras durante a seca, expira este mês e não há um plano claro para estendê-lo ou substituí-lo. Os trabalhadores da dragagem estudam entrar em greve para protestar contra a incerteza.As águas que abastecem os rios Paraguai e Paraná fluem para o sul dos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. No estado de São Paulo, houve escassez de precipitações em cada estação chuvosa nos últimos 13 anos. As chuvas no primeiro trimestre deste ano atingiram apenas metade do volume esperado, segundo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). No Mato Grosso, as principais áreas que abastecem a bacia tiveram precipitação abaixo da média por uma década. No Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais, a situação é parecida.

No ano passado, a Argentina teve que pedir ao Brasil para liberar água de Itaipu no Rio Paraná para aumentar os volumes, que atingiram o nível mais baixo desde 1989.O Brasil envia a maior parte da produção agrícola para portos marítimos de caminhão ou trem, e o transporte de soja por hidrovias é mais comum na Bacia Amazônica, mas parte do transporte fluvial do país tem sido afetado pela seca. Em Corumbá, próximo à fronteira sul com o Paraguai, onde a Vale usa vias fluviais para exportação, as barcaças navegam com 20% a menos de carga por causa da baixa profundidade.O problema não será fácil de superar, e os mercados de produtos agrícolas podem ter que se preparar para problemas logísticos após a colheita desta temporada.“Os rios podem levar um ou dois anos para se recuperar, dependendo das chuvas”, disse Francisco Catarino, sócio da empresa de logística fluvial FJLC Consultoria.

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