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Rio registra menor taxa de isolamento desde início da pandemia de Covid; Botafogo lidera

Diego Amorim
·4 minuto de leitura

Em meio ao aumento de casos e óbitos por Covid-19 e ao avanço de novas variantes do vírus, o Rio registrou na última semana a menor taxa de isolamento social desde o início da pandemia: 30% entre 21 e 28 de fevereiro. Isso significa que, comparado com uma semana normal, antes do início da pandemia, viu-se em média 30% menos de pessoas nas ruas. Há cerca de um ano, esse número chegou a ser de 85%. Entre os bairros monitorados, Botafogo, na Zona Sul, tem apresentado os indicadores mais baixos: na última segunda-feira, dia 1º, por exemplo, o isolamento estava em -18%, ou seja, havia 18% a mais de pessoas nas ruas do que antes da chegada da doença. Por sua vez, Leblon, Ipanema e Copacabana apresentaram, também na última semana, os índices mais baixos desde março de 2020.

Para a médica Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro (Sierj), o atual momento pandêmico exige cuidados redobrados, e não flexibilização do distanciamento social.

— O mais importante neste momento era justamente manter as medidas de afastamento. A variante amazônica, por exemplo, circula com carga viral dez vezes maior, é mais transmissível. É triste ver restaurantes, bares e quiosques lotados. Infelizmente a população acredita que a pandemia está sob controle, mas não está. É provável vivermos um cenário ainda mais caótico, conforme vem sendo observado em estados vizinhos, como São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Amazonas — explica.

Os dados são do monitoramento feito pela empresa de inteligência artificial Cyberlabs, que vem trabalhando em parceria com o Centro de Operações Rio (COR), da prefeitura, por meio da análise de centenas de câmeras de videomonitoramento espalhadas por toda a cidade.

Os índices da cidade seguem uma queda quando comparados com as duas semanas anteriores: 35% e 56%, respectivamente. Até então, a taxa nunca havia ficado abaixo de 42% — o que aconteceu entre os dias 6 e 12 de setembro e 8 e 14 de novembro, datas próximas a feriados nacionais.

Recordista negativamente, Botafogo não supera os 30% de isolamento social desde a semana de 7 a 13 de junho, quando o indicador registrado foi de 60%. De lá para cá, quedas sequenciais e marcações negativas. De 4 a 10 de outubro, a média ficou em -5%. Hoje, o bairro aparece classificado com o risco alto para contaminação da Covid e com 4.903 casos confirmados, ocupando o sétimo lugar na lista da Secretaria municipal de Saúde do Rio. Por lá, são 208 óbitos.

— Botafogo é um bairro bastante comercial, de passagem e com uma estação de integração do metrô. Muitas pessoas circulam por ali e acabam repercutindo nos números de casos, internações e óbitos de outros bairros. Esses baixos índices de isolamento trazem preocupação. Poderemos ter aqui no Rio uma situação mais alarmante nos próximos 15 dias — alerta o infectologista e professor da Unig (Universidade Iguaçu), Roberto Falci da Silva Garcia.

Em relação aos índices do isolamento social nos seis bairros monitorados pela Cyberlabs, todos estão com as taxas abaixo de 60%. O bairro de Botafogo é seguido por Tijuca, com 18%; Copacabana, com 28%; Leblon e Ipanema, com 39%; Centro, com 52%; e Barra da Tijuca, com 57%.

Esses valores acompanham outra informação preocupante: dados de mobilidade de celulares no Brasil mostram como a alta movimentação de pessoas em áreas públicas pode ser facilmente atrelada ao aumento subsequente do número de casos da doença. O réveillon foi a data com maior concentração de pessoas em áreas classificadas como “parques” (que incluem praias e espaços públicos de recreação). No início de janeiro, a circulação nesses locais foi equivalente à de níveis anteriores da epidemia. Nas praias e áreas recreativas do Rio, a terça-feira de carnaval foi o dia mais movimentado desde a chegada da Covid-19.

Os baixos índices de isolamento são registrados no momento em que a Fiocruz divulgou uma nota na qual aponta o agravamento da pandemia em 19 unidades da federação — entre elas o Rio, que tem 88% de taxas de ocupação de leitos de UTIs, de acordo com o órgão. O Boletim do Observatório Fiocruz Covid-19 apontou que, "pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o país o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos e de óbitos, a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais".