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Caso Marielle: Revista localiza e identifica porteiro que citou 'Seu Jair' em depoimento

Segundo a "Veja", ele mora em uma área dominada por milícias na Zona Oeste do Rio de Janeiro Reportagem da revista “Veja”, publicada nesta sexta-feira, identificou o porteiro do condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem casa no Rio, personagem que, em depoimento, afirmou que um dos suspeitos de assassinar a vereadora Marielle Franco (Psol) anunciou visita à casa de Bolsonaro no dia do crime.

Fachada do condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde o presidente Bolsonaro tem casa

Pablo Jacob/Agência O Globo

De acordo com a reportagem, ele mora na Gardênia Azul, bairro fincado em área dominada por milícias na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A revista diz ter o localizado às 17 horas de segunda-feira 4, quando ele apareceu na porta de casa, um sobrado amplo e sem pintura, de shorts, chinelo e camiseta do Flamengo. "Assim que a reportagem [de "Veja]" se identificou, o sorriso despreocupado com que o porteiro se aproximou sumiu. ‘Eu não estou podendo falar nada. Não posso falar nada’, disse, virando as costas e fechando a porta."

Em dois depoimentos à Polícia Civil do Rio, ele afirmou que, no dia 14 de março de 2018, o dia do assassinato de Marielle, o ex-policial militar Élcio Queiroz, um dos acusados pelo crime, chegou na portaria do condomínio Vivendas da Barra, onde mora o presidente, e anunciou a ele que iria visitar a casa 58, a de Bolsonaro. Ele disse ainda que, ao chamar a casa 58 pelo interfone, a entrada de Élcio foi autorizada por alguém que tinha a voz do “seu Jair”. Pelo sistema de câmeras, porém, constatou que Élcio dirigiu-se para outra casa, a de número 65 ou 66, onde morava outro suspeito do crime, Ronnie Lessa.

Uma anotação da visita feita à mão num livro de controle da portaria combina com a versão do porteiro. Trata-se de um registro feito com caneta azul da entrada de Élcio para a casa 58, a de Bolsonaro.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSL), filho do presidente e morador do mesmo condomínio, mostrou, porém, uma gravação de voz armazenada no sistema de segurança do interfone que põe em xeque a versão de Ferreira Mateus. Teria sido feita no mesmo dia do assassinato de Marielle. E mostra uma chamada da portaria feita diretamente para a casa de Roni Lessa, não para a de Bolsonaro. É possível ouvir a voz do suspeito atendendo a chamada de um outro porteiro do condomínio e autorizando a entrada de Élcio Queiroz.

A revista afirma que o porteiro estava de férias e deveria ter voltado ao trabalho no dia 1º de novembro. “Mas, diante da divulgação do depoimento três dias antes, o condomínio optou por prorrogar a licença e mantê-lo afastado do local até a poeira baixar”, completa.

A reportagem da “Veja” também conseguiu identificar e localizar o outro porteiro que, conforme a gravação mostrada por Carlos Bolsonaro, autoriza a entrada de Élcio Queiroz após falar com Ronnie Lessa no dia do crime. “A voz é minha”, confirmou para a revista, que pediu para ele ouvir mais uma vez o áudio gravado no sistema do interfone.