Mercado abrirá em 2 h 53 min

Revisão de dados da exportação não altera PIB do 3º trimestre, diz FGV

Alessandra Saraiva

Mudanças afetam os cálculos de consumo das famílias, a medida de investimento e de exportação em relação aos dados divulgados sem o ajuste A revisão dos dados de setembro divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) deve provocar mudanças nas variações do consumo das famílias, da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), além da própria exportação dentro do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas não deve mudar a variação final, um crescimento de 0,6% contra o trimestre anterior, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, divulgou sua pesquisa Monitor do PIB relativa a outubro nesta terça-feira, comentando a revisão de dados pelo Ministério da Economia e seu impacto no PIB. Com essa correção, o consumo das famílias teria subido 0,7% no terceiro trimestre ante o segundo trimestre deste ano, e não 0,8%.

No terceiro trimestre deste ano, o consumo das famílias teria avançado 1,7% e não 1,9% em comparação com o terceiro trimestre de 2018. A taxa acumulada em 12 meses até o terceiro trimestre teria subido 1,7% e não 1,6%. Já no caso do resultado mensal de outubro, fornecido apenas pelo monitor da FGV, a estabilidade em relação a setembro foi atualizada para um recuo de 0,2%.

Revisão no cálculo das exportações muda parâmetros do PIB

hectorgalarza / Pixabay

Na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), a única diferença seria na taxa mensal, contida apenas no Monitor do PIB, em outubro ante outubro de 2018, de 7% para 7,3%.

Já no caso de Exportação, as diferenças são mais significativas. O recuo de 2,8% nas vendas externas no terceiro trimestre ante o segundo trimestre foi atualizado para queda de 1,5%, de acordo com a FGV. Na comparação com terceiro trimestre de 2018, a queda foi revisada de 5,5% para 3,3%. A taxa em 12 meses foi atualizada de 1,3% para 1,9%.

Em relação aos desempenhos mensais, que são veiculados no monitor da FGV e não pelo IBGE, as exportações em outubro teriam avançado 7,2% ante setembro, e não 5,6% — com aumento de 9,6% na comparação com setembro, em vez de aumento de 9,3%.

Juliana explica que o impacto da exportação nos dados de consumo e de FBCF se daria porque ambos usam o dado de consumo aparente em seus cálculos. O consumo aparente é o total da produção adicionada das importações e subtraída das exportações.

Assim, na prática, como o dado de exportação mudou, muda também o de consumo aparente — com impactos no consumo das famílias e FBCF. “Mas a revisão não afeta o PIB como um todo”, disse, concordando com o IBGE que as alterações não são significativas ao ponto de mudar o resultado completo da economia referente ao período.

O governo federal divulgou em dezembro dados revisados das exportações de setembro, outubro e novembro. No caso do mês de setembro, usado no cálculo do PIB do terceiro trimestre, as exportações brasileiras passaram de US$ 18,921 bilhões para US$ 20,289 bilhões.

Após divulgação do PIB do terceiro trimestre, em 3 de dezembro, o IBGE informou que vai revisar os números da economia referentes ao período, mas que estes “não sofreriam alterações significativas”.

Em nota técnica veiculada na época, o instituto acrescentou ainda que as revisões serão publicadas com o PIB do quarto trimestre de 2019, a ser divulgado em 4 de março de 2020.