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Revezamento de cilindro de oxigênio, maca de ambulância que vira leito e mais de 200 enterros; veja relatos sobre caos em Manaus

Leandro Prazeres
·3 minuto de leitura
Foto: Leandro Prazeres / Agência O Globo

Hospitais em situação caótica, moradores fazendo fila para comprar cilindros de oxigênio para salvar a vida de parentes com Covid-19, profissionais de saúde sendo heróis na luta contra o colapso do sistema de saúde, toque de recolher decretado pelo governo do estado. O drama do avanço da pandemia em Manaus (AM) deixou o Brasil e o mundo em choque. A transferência de mais de 700 infectados para outros estados é acompanhada pela comunidade internacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o cenário serve de alerta para o mundo.

Em meio ao caos, parentes de pacientes e profissionais de saúde correm para salvar vidas. Na luta contra o relógio, macas de ambulâncias viram leitos, faz-se revezamento de cilindros de oxigênio e o número de enterros diários na cidade bate recorde desde o início da pandemia.

Praticamente lotados, os hospitais públicos de Manaus estão retendo macas de ambulâncias e cilindros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para poderem receber mais pacientes com Covid-19. A medida, porém, afeta a capacidade do serviço de fazer o transporte de pacientes na cidade. De acordo com o diretor do Samu em Manaus, Rui Abrahim. Das 25 ambulâncias que operam em Manaus, 10 estão paradas, segundo ele.

Nesta sexta-feira (15), uma ambulância do Samu chegou ao Hospital 28 de Agosto, um dos maiores do estado, transportando um paciente com Covid-19 em estado grave. No local, o motorista da ambulância, Sidney Albuquerque, foi informado de que a maca do automóvel deveria ficar no hospital. Do contrário, não haveria como acomodar o paciente na unidade.

— Isso está acontecendo o dia todo. A gente vem deixar os pacientes, mas a maca fica. Isso prejudica o nosso trabalho porque a ambulância fica inoperante até que uma nova maca seja disponibilizada — afirmou Albuquerque.

No mesmo Hospital 28 de agosto, um filho esperava notícias sobre a mãe sentado ao lado de um cilindro de oxigênio que ele mesmo levou. O autônomo Adenauer Silva Seixas, de 36 anos, contou que só levou a mãe, Maria do Socorro Silva Seixas, de 64, está internada na UTI, mas a família só a levou para o hospital porque não tinha mais onde comprar oxigênio hospitalar para o tratamento em casa.

— Ea está com Covid-19 e a gente vinha tentando mantê-la em casa porque a gente sabia que os hospitais estão um caos. Eu sou autônomo e tenho um mercadinho. A gente começou a ter que comprar oxigênio hospitalar pra ela fazer o tratamento em casa. Cada balão era R$ 500. Um conhecido conseguiu o cilindro. Mas ontem (quinta-feira), a gente chegou na estaca zero. Não conseguimos mais comprar oxigênio para fazer minha mãe respirar. A gente tinha o dinheiro na mão, mas não tinha mais onde comprar. O jeito foi trazê-la pro hospital, mas ninguém nos informa se eles têm oxigênio ou não. Nós estamos com o nosso cilindro aqui. Está carregado. Como eles fazem uma palhaçada dessas? Como podem ter deixar as pessoas morrerem porque não tem oxigênio? É dor, é revolta, não sei nem te explicar — disse Adenauer.

O parente de um paciente de outro hospital relatou à Globonews que, para salvar duas vidas, médicos sugeriram que um cilindro de oxigênio fosse dividido por dois pacientes. As famílias autorizaram o revezamento de 10 em 10 minutos.

Nesta sexta-feira, a capital amazonense registrou 213 sepultamentos, um recorde desde o início da pandemia. Na primeira noite de toque de recolher decretado pelo governo do estado para conter o avanço do novo coronavírus, as ruas permaneceram praticamente vazias.