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Retrofit: mercado faz uma releitura da arquitetura da cidade do Rio

·3 minuto de leitura

Já pensou em morar em um imóvel tombado e recuperado? Ou em um prédio comercial transformado em residencial? Ou ainda em um antigo hotel reformado? Pois é: o retrofit chegou para ficar no mercado imobiliário carioca. A Performance está transformando um edifício de 72 salas na Tijuca em um prédio de 64 apartamentos. A Bait comprou o terreno da clínica do cirurgião plástico Ivo Pitanguy, em Botafogo, e lança ali dois blocos com 39 apartamentos no total. O casarão será destinado à área de lazer. A Piimo, por sua vez, desenvolve o Residencial Payssandu, no Flamengo: um hotel art déco retrofitado para abrigar 48 unidades.

— O retrofit de um bem tombado é sempre muito complicado, mas, felizmente, os técnicos do patrimônio público têm se mostrado sensíveis a esse tipo de projeto que recupera prédios históricos da cidade — conta Marcos Saceanu, presidente da Piimo.

O hotel estava fechado havia quatro anos e em péssimas condições de conservação, o que complica bastante a tarefa de recuperar a fachada. O telhado destruído vai virar um rooftop contemporâneo, assinado pelo escritório Burle Marx.

— Estamos analisando outros prédios que acomodem nossas propostas para residência. É uma tarefa difícil, mas muito prazerosa, porque requalifica prédios e permite uma releitura da arquitetura da cidade — acrescenta Saceanu.

Mais do que isso, o retrofit é uma boa alternativa em bairros com raríssimas áreas disponíveis para novas construções. A Zona Sul — em especial, Botafogo, Flamengo e Laranjeiras — mostra-se uma mina de ouro para as incorporadoras. É ali, por exemplo, que a D2J Construtora investe R$ 20 milhões para transformar o Hotel Flamengo Palace, uma construção dos anos 1970, no Insight Rio, um residencial de 42 unidades, com valores a partir de R$ 580 mil.

Em Laranjeiras, a Bait projeta o que promete ser o primeiro retrofit de comercial em residencial da Zona Sul, na Rua Moura Brasil; e prepara outro complexo de apartamentos em endereço arrasador: o palacete Modesto Leal, na Rua das Laranjeiras.

— A cidade tem muitos prédios abandonados, muitos hotéis falidos, muitos bens históricos que são um passivo tanto para o Rio quanto para as famílias proprietárias — observa um dos sócios e CEO da incorporadora, Henrique Blecher.

Restauração

Com o retrofit, o célebre casarão de Ivo Pitanguy ficará mais visível da rua — antes, um muro impedia a observação do imóvel. A Bait contratou uma empresa especializada em restauração para seguir todos os protocolos de preservação.

— Retrofitar patrimônios ou prédios comerciais renova a paisagem e traz mais riqueza para o mercado como um todo. Em cidades como Londres e Lisboa, você vê o tempo todo edifícios ganhando novos usos — afirma Blecher.

A Brix prepara um retrofit no Jardim Botânico no qual a casa tombada dará lugar a apartamentos. No mesmo bairro, a Calçada — responsável pelo primeiro grande projeto de retrofit do Rio, o do Edifício Amarelinho, na Cinelândia — lançou um edifício de 24 apartamentos no mesmo terreno que abriga uma residência de 1884, protegida pelo patrimônio. Do outro lado da cidade, a Performance lança, ainda este ano, o primeiro comercial retrofitado em residencial da Tijuca.

— Com a pandemia, aumentou muito a liquidez de prédios comerciais. Em uma cidade com escassez de terrenos, transformar escritórios em apartamentos tornou-se uma ótima alternativa — afirma a gerente comercial da Performance, Carolina Lindner.

O empreendimento terá entre 50 e 55 unidades. As salas de 50 metros quadrados serão transformadas em apartamentos de quarto e sala. Internamente, as alterações são mais simples do que a adaptação da fachada, que precisa ganhar a cara de um prédio residencial.

— O mercado vai se reinventando e descobrindo novas formas de recuperar edifícios já construídos — diz ela.

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