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Retração de ofertas na Bolsa em anos eleitorais joga contra privatização da Eletrobras

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*ARQUIVO* SAO PAULO - SP - 05.09.2013 - Bolsa de Valores na  Rua XV de Novembro em Sao Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO - SP - 05.09.2013 - Bolsa de Valores na Rua XV de Novembro em Sao Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A intenção do governo de privatizar a Eletrobras em 2022 desafia o histórico de retração de ofertas de ações na Bolsa em anos de eleições presidenciais, principalmente se a operação ficar para o segundo semestre. A operação é uma das prioridades do ministro Paulo Guedes (Economia) no último ano de mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Levantamento da Folha com base em dados da B3 nos últimos 18 anos mostra que o número médio de operações cai 34% em anos de disputa pelo Palácio do Planalto. Considerando apenas segundos semestres, a quantidade média cai quase pela metade (46%) nesses casos.

As ofertas foram ainda mais escassas em eleições mais recentes. Em 2018, houve apenas cinco operações --sendo duas no segundo semestre. Em 2014, foram duas --sendo apenas uma na segunda metade do ano.

A pesquisa leva em conta tanto ofertas primárias de ações (quando a empresa emite novos papéis e os vende no mercado) como secundárias (operação em que os acionistas vendem papéis que detêm).

O governo pretende privatizar a Eletrobras por meio de duas operações em Bolsa, uma primária e outra secundária. No primeiro movimento, a empresa emitiria novos papéis para vendê-los apenas a investidores privados. Em um segundo movimento, a União venderia parte dos papéis que detém.

Ao fim do processo, o governo abriria mão do controle da empresa e diminuiria a participação da União de 72% para 45% do capital votante.

Em abril, o TCU (Tribunal de Contas da União) pediu mais 20 dias de análise sobre o processo e frustrou os planos do governo de um avanço mais rápido. O cronograma teve que ser ajustado, e agora o Executivo prevê uma operação entre junho e agosto.

Governo e empresa ainda buscam demonstrar otimismo sobre a operação. Guedes afirma que a privatização pode ocorrer "muito em breve", e o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) diz que há "muito interesse" do mercado mesmo com o cenário eleitoral. "Acreditamos que poderá ocorrer, sim, sem dúvidas, até o mês de julho deste ano", disse.

O levantamento mostra que anos eleitorais podem, de fato, ter espaço para as operações. Em 2010 (último ano do governo Lula), por exemplo, foi feita a megacapitalização da Petrobras que atraiu recursos para a exploração do pré-sal.

Apesar do otimismo, integrantes de governo e empresa ouvidos pela Folha reconhecem que as condições de mercado em 2022 podem atrapalhar a venda. Não tanto pela atratividade da operação em si, mas pela situação da Bolsa nos próximos meses --que pode, no limite, inviabilizar a operação.

Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper, afirma que a avaliação dos investidores profissionais tradicionalmente considera variáveis como risco e custo de oportunidade de capital. Em anos eleitorais, a análise passa a ser permeada pela incerteza sobre o futuro governo e as consequentes decisões sobre uma gama de assuntos que incluem despesas públicas, endividamento e até carga tributária.

"Vamos nos colocar no papel da empresa que está há quatro anos se preparando para se colocar no mercado. Ela vai esperar passar a eleição, porque o investidor nesse momento vai querer deságio", afirma. "Quanto mais próximo das eleições, maior o risco político", diz.

Neste ano, se somam às preocupações políticas o aumento dos juros (que deixa a renda fixa mais atraente, tirando recursos da Bolsa) e os problemas de escala global. "O Brasil é muito influenciado pelo cenário internacional, que não está pacificado. Além da pandemia, a gente não sabe aonde vai chegar a guerra na Europa", afirma. "Estamos em uma economia global desequilibrada e, sem isso, já seria desafiador [privatizar]", diz.

Se por um lado o cenário político de 2022 já traz candidatos conhecidos nas primeiras posições nas pesquisas --o que, em tese, diminui incertezas sobre os próximos quatros anos-, por outro há um clima de crise institucional próximo às eleições que eleva as preocupações.

Cristiano Corrêa, professor de finanças do Ibmec São Paulo, afirma que tentativas de Bolsonaro de questionar o Judiciário ou o processo eleitoral geram incerteza no mercado e alimentam o refúgio dos recursos na renda fixa em vez do risco da Bolsa.

Citação Na hora em que um presidente busca ou entende que desrespeitar uma ordem judicial é o melhor caminho para solucionar um problema, o investidor se pergunta se a legislação é suficiente para manter as coisas no lugar. "Tenho um presidente que a todo momento traz um fato novo, e isso se reflete no mercado financeiro. Na prática, ainda não resultou em nada [ainda mais grave], mas é o presidente falando. Essa desregulação institucional aumenta a incerteza", afirma.

"Na hora em que um presidente busca ou entende que desrespeitar uma ordem judicial é o melhor caminho para solucionar um problema, o investidor se pergunta se a legislação é suficiente para manter as coisas no lugar. Então isso se reflete diretamente na avaliação de risco de mercado e na decisão dos investidores", diz.

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