Mercado fechado

Retomada de festas e eventos aquece a economia de Niterói

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NITERÓI - Um dos setores mais afetados pela pandemia, o mercado cultural, no segmento de festas e eventos, foi o último a ter suas atividades liberadas na cidade, no início deste mês. Mesmo em um cenário de crise econômica que afeta todo o país, essa retomada vem superando expectativas. Com uma demanda reprimida ao longo de um ano e meio, a adesão do público à liberação parcial permitida pelo avanço da vacinação anima produtores, artistas e empresários que atuam em Niterói e estão confiantes no reaquecimento do setor.

Mesmo com as restrições ainda impostas pelos protocolos sanitários, os eventos realizados ao longo dessas duas semanas vêm garantindo sucesso de público, segundo produtores culturais. A abertura de casas noturnas, pubs e boates foi liberada, neste primeiro mês, com até 50% da capacidade, mediante comprovação de esquema vacinal completo. No caso de eventos em locais abertos, a capacidade se estende para 70%.

Reunindo moda, cultura, shows, formação e empreendedorismo, o festival ID Rio estreia na cidade com o pé direito. Realizado desde sexta-feira, no Reserva Cultural, será encerrado hoje, a partir das 20h, com show do cantor Gabriel O Pensador. Os ingressos gratuitos foram distribuídos pela internet antecipadamente e se esgotaram rapidamente.

Idealizador do ID Rio, Claudio Silveira conta que o evento foi crescendo ao longo do planejamento. Inicialmente, o festival — que é composto por atividades de estímulo direto ao empreendedorismo do trade da moda do Rio e apresentado pela Enel e pelo governo estadual — aconteceria de forma mais tímida.

— Fiz um trabalho para o Senac, antes da pandemia, mapeando os empreendedores de moda em todas as regiões do estado. Quando fui convidado pela Enel para fazer esse evento, quis trazer esse trabalho anterior para estimular os pequenos empreendedores. Mas o projeto foi tomando uma forma muito maior. Grandes marcas se interessaram e um grupo de empresárias de Niterói, o Capacitas, também quis entrar, além da prefeitura, que nos apoiou. Utilizamos todos os espaços do Reserva, menos o cinema, com quatro desfiles, nove shows, 12 palestras, uma vila para exposição, gastronomia e lançamento de livros — explica.

Produtor de eventos em uma das maiores boates da cidade, a Palm Club, Thales Ragone comemora o retorno.

— Nossos eventos estão se esgotando antecipadamente. Antes da pandemia, a cultura aqui era a do nome na lista, mas o público aderiu à venda antecipada. Ainda estamos um pouco engessados com a capacidade de 50%, mas estamos seguindo à risca. Em novembro, se tudo der certo, aumenta para 70%; e em dezembro, 80%. A partir daí, podemos trazer atrações maiores, com cachês mais altos. Estamos planejando muita coisa, buscando espaços com maior capacidade. A expectativa para o ano que vem é das melhores possíveis. As vendas do nosso réveillon no Praia Club São Francisco estão muito boas. O setor de festas movimenta bem a economia. Tínhamos muitos funcionários parados. Sem falar que, além de gastar no local, quando tem uma festa o público gasta na cidade, compra uma roupa nova, vai ao salão de beleza. Todo mundo ganha — avalia.

Produtor de megaeventos dentro e fora da cidade, Peck Mecenas, CEO da Peck Produções, planeja a retomada de grandes shows com público presencial em Niterói no primeiro semestre do ano que vem. As primeiras atrações confirmadas serão os sertanejos Marília Mendonça e Jorge Mateus, em maio.

—Fizemos muitas lives bacanas no Caminho Niemeyer na pandemia, mas o entretenimento presencial é necessário. Se para a galera mais velha esse isolamento foi difícil, fico imaginando a garotada que completou 18 anos no ano passado e está querendo curtir agora. Acredito que estamos voltando no tempo certo, respeitando a ciência, que comprovou que a vacinação dá resultado. Trabalho com três grandes marcas que voltaram a se sentir confortáveis associadas a eventos — afirma.

Apoio público

Presidente da Fundação de Artes de Niterói (FAN), Marcos Sabino conta que o projeto Arte da Rua volta repaginado no início do ano que vem. Para o final deste ano, a pasta está apostando no Natal da Esperança, com eventos espalhados pela cidade.

— O retorno acontece de forma responsável. Estamos levando a sério o passaporte da vacina e tendo uma resposta ótima. Os artistas produziram bem neste período de pandemia, e com a reabertura temos que estar com nossos espaços preparados para atender a uma enorme demanda criativa reprimida. Mais de 180 artistas já se inscreveram na chamada pública para renovar o banco de artistas da cidade. A cultura tem mais de R$ 20 milhões investidos em editais, e agora estamos retomando o fomento direto, como o Natal da Esperança e o Arte na Rua — diz Sabino.

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