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Resultado de análise laboratorial revela o que há nas sementes da China

Natalie Rosa
·3 minutos de leitura

Em meados de setembro, algo misterioso começou a intrigar muitos brasileiros que compravam produtos em e-commerces da China. Após concluir a compra, os pacotes com as mercadorias chegavam normalmente até suas casas, mas, estranhamente, acompanhados de saquinhos com sementes — todas vindas da Ásia.

Quando mais pessoas começaram a relatar o acontecido, logo foi recomendado pelas autoridades estaduais brasileiras que as embalagens não fossem abertas e, muito menos, que essas sementes fossem plantadas, justamente por não haver informações sobre a sua procedência. Foram confirmados, até o momento, os recebimentos de 258 pacotes de sementes em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal, ficando de fora apenas o Amazonas e o Maranhão.

O caso começou a intrigar a população, chamando a atenção da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que investigou o caso. Nesta terça-feira (6), o órgão revelou o resultado da primeira investigação em laboratório: "foram encontrados fungos, bactérias e possibilidade de pragas quarentenárias (que não existem no Brasil) em pacotes de sementes não solicitados que chegaram ao país e foram encaminhados ao Ministério", diz o site oficial.

As sementes que chegaram ao poder público foram encaminhadas para procedimentos laboratoriais, que identificaram a existência de ácaros vivo em uma das amostras, três tipos diferentes de fungos em 25 amostras, além da presença de bactérias em duas amostras e a possibilidade das ditas pragas quarentenárias, como plantas daninhas, em quatro das amostras. Os estudos foram conduzidos no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária no estado de Goiás, referência no Brasil.

<em>Reprodução: Mapa</em>
Reprodução: Mapa

Sementes misteriosas

Ainda não se sabe exatamente o que tem motivado os asiáticos a enviarem sementes junto às encomendas, mas a principal suspeita é de uma fraude conhecida como "brushing". Essa tática já existe há tempos no comércio online, e consiste no envio de encomendas não solicitadas para o registro de compras falsas. No golpe, cibercriminosos criam cadastros e compram em lojas online como se fossem clientes comuns, usando dados de clientes de sites de compra e venda.

Esses dados (endereços, e-mail, nome, telefone) são roubados de pessoas de vários países. Os criminosos conseguem monitorar o momento em que a encomenda não desejada vai chegar, já que muitas plataformas de comércio eletrônico exigem o registro de um número de rastreio em cada pedido. Quando o produto chega, eles acabam fazendo avaliações positivas para as suas próprias lojas, enganando seus futuros consumidores e aumentando a sua reputação como comerciante.

Sendo assim, as sementes recebidas pelos brasileiros não possuem nenhum intuito além de "preencher" uma encomenda vazia com um produto barato. Mesmo assim, o Mapa não descarta a possibilidade de bioterrorismo, o que seria uma tática intencional para trazer alguma praga para o Brasil. "Estamos falando de material não solicitado, que não tem controle e não sabemos a origem nem o que está carregando. Apesar da pequena quantidade, podem trazer pragas para a nossa agricultura, como plantas daninhas, fungos, outras doenças como bactérias, vírus", afirmou José Guilherme Legal, secretário de Defesa Agropecuária nesta terça.

Daqui a 30 dias, novos resultados das análises serão divulgados, e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento reforça que a população não abra esses pacotes e os encaminhe diretamente ao órgão para análise.

Fonte: Canaltech

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