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Restos de macaco sacrificado revelam diplomacia entre povos pré-colombianos

Os restos de um macaco-aranha (Ateles geoffroy) de 1.700 anos, escavados em 2018, revelaram uma relação muito mais profunda entre o povo maia e a cidade-estado de Teotihuacán, nas terras altas da região central do México. As circunstâncias do achado e o estudo realizado em seu entorno indicam a primeira evidência da captura, translado e presente diplomático de um primata entre as elites pré-colombianas do continente.

Ao contrário de Hsing-Hsing e Ling-Ling — os pandas presenteados pela China ao presidente americano Richard Nixon em 1972, que viraram atração de zoológico —, o símio acabou sendo sacrificado de forma ritualística, em uma morte brutal que teria servido para fortalecer os laços diplomáticos entre as duas culturas. Os restos indicam que ele teria sido amarrado e enterrado vivo.

Restos do macaco-aranha e de outros animais encontrados em Teotihuacán (Imagem: Sugiyama et al./PNAS)
Restos do macaco-aranha e de outros animais encontrados em Teotihuacán (Imagem: Sugiyama et al./PNAS)

Sacrifício animal e diplomacia

As mãos do animal teriam sido amarradas nas costas, e os pés, também atados. Isso é indicativo de um enterro enquanto o bicho ainda vivia. Em Teotihuacán, humanos e animais eram sacrificados desta mesma forma, reforçando a possibilidade. No complexo da Praça das Colunas, restos de outros animais também foram encontrados, bem como fragmentos de um mural no estilo maia e mais de 14.000 pedaços de cerâmica utilizados em um grande banquete.

Entre os resquícios, podem ser identificadas diversas cobras cascavel, uma águia-real e um puma, cercados de artefatos únicos, como pequenas esculturas verdes feitas de jade e de concha de caracol, bem como luxosos artigos de obsidiana — entre eles, lâminas e pontas de flecha.

Acreditava-se, anteriormente, que a presença dos maias na cidade se limitava a comunidades migrantes e embaixadores, o que era indicado por fragmentos em murais, indicando alta diplomacia de 1.700 anos entre os mesoamericanos. A 48 quilômetros de Tenochtitlán, capital do Império Asteca e atual Cidade do México, Teotihuacán era uma cidade cosmopolita, atraindo comerciantes e pessoas buscando trocar cultura, ideias e bens.

Delineado em verde, localização da civilização maia, demonstrando a presença dos macacos-aranha (Ateles geoffroy) longe de Teotihuacán, para onde um dos animais teria sido levado (Imagem: Sugiyama et al./PNAS)
Delineado em verde, localização da civilização maia, demonstrando a presença dos macacos-aranha (Ateles geoffroy) longe de Teotihuacán, para onde um dos animais teria sido levado (Imagem: Sugiyama et al./PNAS)

Análises no esqueleto do símio revelaram que o macaco-aranha teria de 5 a 8 anos quando morreu. Seus dentes também mostram que ele comia milho e pimentas chili, além de outros alimentos dados pelos humanos. Ele teria sido mantido em cativeiro por pelo menos 2 anos, e provavelmente viveu em um ambiente úmido antes de chegar a Teotihuacán, onde comia plantas e raízes.

Teotihuacán foi uma cidade-estado bem-sucedida por mais de 500 anos. Estudar a dinâmica de suas relações e seu ambiente através de achados como esse nos dá um vislumbre do que tornou o local tão próspero, bem como pode nos revelar um pouco de suas fraquezas. Entender como sociedades passadas viveram, com suas próprias semelhanças e diferenças com o mundo moderno, nos ajuda a planejar um futuro melhor, segundo os cientistas.

Fonte: Canaltech

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