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Restaurant Brands não garante contratos da Zamp caso Mubadala assuma controle, ação despenca

SÃO PAULO (Reuters) - A Restaurant Brands International disse nesta quinta-feira que não pode garantir ao Mubadala que a potencial aquisição do controle da empresa brasileira de restaurantes Zamp pelo fundo árabe manterá inalterados os atuais contratos de franquia das redes de fast food Burger King e Popeyes.

O posicionamento coloca ainda mais dúvidas sobre o negócio, à medida que o Mubadala havia dito que poderia retirar sua oferta pelo controle da Zamp caso não houvesse uma "confirmação tempestiva e inequívoca" sobre o tema.

Em carta à Zamp, nome atual da antiga Burger King Brasil, a Restaurant Brands, disse nesta quinta-feira que "não pode outorgar o waiver solicitado" pelo Mubadala.

As ações da Zamp esticaram a queda após a divulgação e, por volta do final do pregão desta quinta-feira, despencavam 8,35%, a 7,35 reais.

O Mubadala lançou por meio de um veículo de investimento uma oferta pública de aquisição de 45,15% da Zamp, operação que, se concretizada, dará ao fundo o controle da operação da companhia brasileira de fast food.

No entanto, o Mubadala pediu uma manifestação definitiva da Restaurant Brands, master franqueadora das marcas Burger King e Popeyes, sobre a possibilidade da tomada de controle resultar em uma rescisão de contratos de franquia e licenciamento relacionados às duas marcas, que representam o grosso do negócio da Zamp.

Além disso, debenturistas da Zamp condicionaram a aprovação da não antecipação do vencimento de títulos --também no âmbito da OPA-- à confirmação pela Restaurant Brands de que a tomada de controle pelo Mubadala não implicaria em rescisão ou qualquer alteração nos termos e condições desses dois contratos.

A Restaurant Brands justificou seu posicionamento nesta quinta-feira dizendo que recebeu novas informações e que com base nelas entende que "algumas das afiliadas do Mubadala estão envolvidas em atividades que competem com as atividades do Burger King e Popeyes", sem detalhar.

O negócio já vinha encontrando outros empecilhos, como a rejeição da oferta, que chegou a ser elevada em cerca de 10% pelo Mubadala, por acionistas donos de mais de 22% da Zamp.

A Zamp atualmente não tem controle definido.

(Por Andre Romani)