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Renner investe em tecnologia 3D para melhorar processo de modelagem

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Uma peça de roupa é muito mais do que P, M ou G. Ela guarda as medidas primárias - busto, cintura e quadril - e uma infinidade de medidas secundárias, como bíceps, punho, coxa e panturrilha, por exemplo. Isso sem falar da altura, que vai de 1,45 metro a quase 2 metros.

Em um momento em que o Brasil ainda discute uma tabela de referências de tamanho para o vestuário feminino, por meio da ABNT (Associação Brasileira de Normas Padrão), grandes varejistas e confecções precisam se esmerar em produzir peças mais ergonômicas e fiéis ao biotipo das brasileiras. Foi o que levou o grupo Renner desenvolver 14 manequins físicos projetados a partir do escaneamento de corpos reais, usando a tecnologia 3D.

A varejista desenvolveu uma tabela de tamanhos que leva em conta mais de 40 medidas. Realizada em parceria com a startup MYM, pioneira na reprodução de manequins de corpos reais através do escaneamento 3D, a iniciativa vai contribuir para uma modelagem mais assertiva das marcas do grupo, contemplando todas as linhas de produtos, do infantil ao adulto (tanto feminino quanto masculino) e Ashua -marca voltada para o público plus size.

"O aprimoramento da nossa tabela de medidas foi feito em parceria com ABNT, Senai Cetiqt e Associação Brasileira de Plus Size", diz Fernanda Feijó, diretora de estilo da Renner. "Interessa oferecer mais conforto ao cliente, além de tornar o ciclo de desenvolvimento de produtos mais ágil e sustentável, sem a necessidade de apresentar tantas amostras de peças", diz.

Em um ciclo de desenvolvimento de produto, a varejista compõe a coleção e terceiriza a produção para as confecções parceiras. Na confecção, uma modelo de prova é contratada para provar as peças - mas outra modelo de prova é usada quando a amostra chega à varejista. Os ajustes são inevitáveis. Com o uso de um mesmo manequim físico, projetado a partir do escaneamento de um corpo real, há um enorme ganho de produtividade.

"Nós nos debruçamos sobre a Size BR [pesquisa antropométrica da população brasileira feita pelo Senai Cetiqt] e revisamos a nossa própria tabela, alinhada ao perfil dos clientes da Renner", diz Jante Marquardt, gerente sênior de desenvolvimento técnico de produto da Renner.

"O desenvolvimento dos manequins a partir de escaneamento de diferentes corpos reais consiste no refinamento deste trabalho, que vai proporcionar ainda maior ergonomia aos produtos", diz a executiva.

O projeto é uma das entregas do hub de moda digital criado pela Renner e formado por um time multidisciplinar, que procura melhorar a experiência do consumidor através da tecnologia 3D.

Por meio de sensores de infravermelho, foi possível capturar a topografia do corpo, gerar um arquivo virtual e, com software de design gráfico, criar um manequim 3D, cujas medidas foram ajustadas de acordo com a tabela de tamanhos que a Renner já utiliza. O processo permite a criação de "avatares", ou manequins digitais, que podem ser usados para a criação de roupas no ambiente virtual.

A iniciativa é ainda mais relevante neste momento, de crescente digitalização do consumo de moda. Para melhorar a experiência do cliente na internet e evitar os gastos de logística reversa com a devolução das peças, as varejistas em geral vêm esmiuçando as medidas das roupas nos sites de comércio eletrônico.

Em sintonia com o aumento das vendas de roupas pela internet, a Renner acaba de concluir um novo centro de distribuição (CD) em Cabreúva (SP), o quinto CD da sua estrutura, que recebeu aportes de R$ 1,2 bilhão. Foram R$ 750 milhões da Renner e R$ 520 milhões da Kinea, gestora de fundos do Itaú Unibanco.

O objetivo é atender o aumento das vendas online e recepcionar mais produtos de lojistas que integram o seu marketplace (sellers). No segundo trimestre deste ano, as vendas online cresceram 66,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, e já representam 14,1% do total.

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