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Renda média do trabalho atinge menor patamar em quase uma década no Brasil

·5 min de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Após a destruição de empregos na fase inicial da pandemia, a reabertura de vagas vem sendo marcada por salários mais baixos no Brasil. Sinal disso é que, no trimestre encerrado em outubro de 2021, quando a taxa de desemprego recuou para 12,1%, a renda média do trabalho voltou a cair e atingiu o menor nível em quase dez anos no país.

Essa é uma das conclusões da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), cujos dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No trimestre até outubro, a renda média real, habitualmente recebida pelos trabalhadores ocupados, foi estimada em R$ 2.449 por mês. É o valor mais baixo de todos os trimestres da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

Na comparação com o trimestre anterior, finalizado em julho de 2021, a queda no rendimento foi de 4,6%. Em relação a igual intervalo de 2020 (agosto a outubro), a retração foi ainda maior, de 11,1%.

Os dados do instituto levam em conta a inflação, que ganhou força ao longo de 2021, rompendo a barreira de dois dígitos no acumulado de 12 meses.

A disparada dos preços é justamente um dos fatores que reduzem a renda média e o poder de compra da população ocupada, indicou a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Além da pressão inflacionária, a criação de vagas com salários mais baixos, em grande parte associada ao mercado informal, também ajuda a explicar o rendimento inferior, de acordo com a analista.

"A expansão da ocupação não tem sido acompanhada pelo crescimento do rendimento", afirmou Adriana.

O economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), classifica como "bem ruim" o cenário para a renda dos trabalhadores.

"Isso vem tanto pela inflação mais alta quanto pela recuperação de postos de trabalho como os por conta própria e informais", observa.

Pela série do IBGE, o maior rendimento médio foi registrado no país entre maio e julho de 2020: R$ 2.799. À época, a fase inicial da crise sanitária afastou do mercado principalmente os trabalhadores com menor remuneração, dizem analistas.

Assim, a renda de quem conseguiu permanecer empregado subiu na média. Além disso, a inflação estava em nível inferior ao atual, impactando menos o bolso dos brasileiros.

"A mistura de atividade econômica fraca e inflação persistente jogou a renda para baixo. O rendimento é o menor da série, um problema seríssimo. Desde 2012, o brasileiro não ganha tão pouco", analisa o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito.

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, a taxa de desemprego caiu para 12,1%, no trimestre até outubro, em razão do aumento da população ocupada com algum tipo de trabalho no país. Mesmo assim, 12,9 milhões de profissionais ainda estavam desempregados no período.

Pelas estatísticas oficiais, uma pessoa é considerada desocupada quando não tem trabalho e segue à procura de novas oportunidades. O levantamento do IBGE considera tanto o setor formal quanto o informal.

No trimestre anterior, finalizado em julho de 2021, a taxa de desocupação estava em 13,7%. Um ano antes, entre agosto e outubro de 2020, era de 14,6%.

A taxa de desemprego estimada pelo instituto até outubro de 2021 (12,1%) ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam indicador de 12,3%.

Nesse período, a população ocupada com algum tipo de trabalho chegou a 94 milhões de pessoas no país. O crescimento foi de 3,6% (3,3 milhões) frente ao trimestre anterior, até julho.

O setor informal respondeu por mais da metade das novas vagas. Dos 3,3 milhões a mais de ocupados até outubro, frente aos três meses anteriores, 54,1% (1,8 milhão) atuavam sem carteira assinada ou CNPJ.

"Houve momentos em que essa variação da informalidade foi bem maior. Mesmo assim, ainda responde por mais da metade da recuperação da ocupação", apontou a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Até outubro, o Brasil tinha 38,2 milhões de informais. O número correspondia a 40,7% da população ocupada (94 milhões) com algum tipo de trabalho. A maior taxa de informalidade da série histórica, iniciada em 2012, foi registrada de maio a julho de 2019 (40,9%).

O IBGE indicou que também houve aumento na população ocupada com algum tipo de vínculo formal. O emprego com carteira assinada, por exemplo, chegou a 33,9 milhões, crescimento de 4,1% frente ao trimestre anterior. Isso significa 1,3 milhão de pessoas a mais --ou cerca de 40% do total de 3,3 milhões a mais de ocupados.

Para Daniel Duque, do FGV Ibre, o desemprego tende a seguir em baixa pelo menos até o primeiro trimestre de 2022. Porém, em seguida, o cenário deve ficar mais complicado, diz o pesquisador. É que, segundo ele, os recentes sinais de fragilidade da economia tendem a atingir o mercado de trabalho com o passar dos meses.

"Há uma demora para os efeitos da economia serem sentidos no mercado de trabalho", comenta Duque.

No terceiro trimestre de 2021, período com os dados mais recentes à disposição, o PIB (Produto Interno Bruto) recuou 0,1% no Brasil, renovando os sinais de estagnação. Foi a segunda baixa consecutiva.

Em meio a esse cenário, as previsões para o desempenho da atividade econômica em 2022 vêm sendo revisadas para baixo.

Analistas do mercado financeiro passaram a projetar crescimento inferior a 0,5% para o PIB do próximo ano, conforme o boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central) na segunda-feira (27). A estimativa é de avanço de 0,42%.

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