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Renda média atinge menor nível em quase 10 anos, diz IBGE

·3 min de leitura
***ARQUIVO***São Paulo, SP, Brasil, 21-02-2019: Cédulas de real. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***São Paulo, SP, Brasil, 21-02-2019: Cédulas de real. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A renda média do trabalho voltou a recuar no Brasil e atingiu o menor valor para o terceiro trimestre na série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os registros da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) começaram em 2012.

No terceiro trimestre, o rendimento real habitual dos ocupados foi estimado em R$ 2.459, apontam dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo instituto. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado (R$ 2.766), a queda foi de 11,1%, a maior da série.

Antes da divulgação desta terça, o menor valor para o período de julho a setembro havia sido registrado em 2012. À época, a renda foi de R$ 2.462.

O recuo coincide com o retorno dos trabalhadores informais ao mercado, aponta o IBGE. Essa parcela costuma ter rendimento mais baixo, o que ajuda a empurrar a média para nível inferior.

Na fase inicial da pandemia, os informais foram atingidos em cheio por restrições a atividades econômicas e sociais. Agora, com o avanço da vacinação contra a Covid-19 e a redução de medidas de auxílio à economia, voltam ao mercado.

A disparada da inflação também pesa sobre a queda da renda média. Isso ocorre porque o IBGE leva em conta o comportamento dos preços na hora de calcular o indicador no país.

Na análise de todos os quatro trimestres padrões do calendário, a marca mais baixa da série foi registrada entre janeiro e março de 2012. Na ocasião, o valor atingiu R$ 2.438, um pouco inferior ao dado mais recente.

"O nível de ocupação vem aumentando por meio da maior inserção de trabalhadores informais no mercado, de menor rendimento. Isso faz com que a média caia. Além disso, temos em curso a questão inflacionária", explicou a coordenadora de trabalho e rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

No terceiro trimestre de 2021, a população ocupada com algum tipo de trabalho foi estimada em 93 milhões de pessoas no Brasil. O contingente representa alta de 4% (3,6 milhões a mais) frente ao trimestre imediatamente anterior e avanço de 11,4% (9,5 milhões a mais) ante igual trimestre de 2020.

Esse movimento ajudou a reduzir a taxa de desemprego, para 12,6%.

Conforme o IBGE, das 3,6 milhões de pessoas a mais na população ocupada, em relação ao segundo trimestre deste ano, cerca de 54% (1,9 milhão) atuavam sem carteira assinada ou CNPJ. Ou seja, a informalidade respondeu por mais da metade das novas vagas.

"Com a retomada da economia e o fim do auxílio emergencial, é esperado esse crescimento [dos informais]. No geral, são pessoas que têm menos escolaridade e mais dificuldade de acesso ao mercado formal", indica Sergio Firpo, professor de Economia do Insper.

Conforme o IBGE, a taxa de informalidade alcançou 40,6% da população ocupada no terceiro trimestre. São 37,7 milhões de trabalhadores sem carteira assinada ou CNPJ.

A maior taxa foi registrada no terceiro trimestre de 2019: 40,9%. Com a pandemia, o indicador chegou a cair para 36,5% no segundo trimestre de 2020.

O retorno dos informais ao mercado ocorre no momento em que o bolso dos trabalhadores é impactado pela escalada do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o indicador oficial de inflação do país.

No acumulado de 12 meses até outubro, período mais recente com dados disponíveis, o índice teve disparada de 10,67%. É a maior alta acumulada desde janeiro de 2016 (10,71%).

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