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O que você precisa saber antes de começar a investir em títulos de renda fixa

Foto: Getty

Por Fellipe Bernardino

As ações negociadas na bolsa oscilam diariamente e, muitas vezes, o que parecia uma galinha dos ovos de ouro acaba trazendo dores de cabeça ao investidor. Com a renda fixa é diferente. Ela garante uma rentabilidade às vezes mais modesta, mas constante, aos aplicadores.

Atualmente, ela tem rendido menos do que em outros momentos. Isso significa que tudo está funcionando dentro do esperado. É natural que os títulos de renda fixa tenham rentabilidade menor quando a bolsa está bombando.

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Para quem não sabe, estão nessa classificação os diferentes títulos do Tesouro Direto, Letras de Crédito Agrícola (LCA), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), entre outras. Essas opções são como um empréstimo ao governo. O preço por esse crédito são os juros recebidos pelos títulos.

Por onde começar

O que muitos investidores que estão começando não sabem é que a renda fixa deve servir como um “colchão de segurança” para quem resolve arriscar na bolsa – mesmo em momentos em que os juros estão baixos, como agora.

A recomendação para quem resolve sair da caderneta de poupança em busca de mais rentabilidade é começar pelo Tesouro Direto, que é a opção mais acessível de renda fixa.

Depois de formado um capital suficiente para cobrir os custos dos investimentos em renda variável – taxa de corretagem, taxas de transação, custódia, entre outras – já se pode pensar em correr um pouco mais de risco.

O sócio fundador da assessoria de investimentos MoneyMark Gian, Marcelo Germani, explica que um possível esquema de alocação de recursos no começo pode ser a divisão de 90% para a renda fixa e 10% para a renda variável – proporção que pode variar para mais ou para menos dependendo do perfil de cada investidor, se mais agressivo ou mais conservador.

“Na soma, essas opções vão garantir uma proteção para a carteira suportar oscilações momentâneas na renda variável”, diz Germani. Assim, quando for preciso manter uma posição não tão favorável em ações que antes pareciam atraentes, o capital estará blindado em investimentos mais seguros.

Investir em vez de poupar

É importante não esquecer de que os recursos devem ser alimentado constantemente. Nas palavras de Germani, o investir deve exercitar o hábito de poupar. E isso vale também para os eventuais ganhos com os investimentos em ações.

Sempre que a renda variável render mais do que o esperado, vale a pena alocar esses ganhos para a renda fixa e manter a mesma proporção aplicada nas diferentes opções. Vamos exemplificar: se o investidor alocou 80% de seus recursos na renda fixa e 20% na renda variável, pode haver um momento tão favorável no mercado de ações que o que era 20% passa a ser 30%. Nesse caso, pegar os 10% a mais e passar para a renda fixa pode ser uma boa ideia se você não quer perder o que já ganhou.

Longo prazo

É por isso que a renda fixa deve ser entendida como uma opção de longo prazo. Além de o vencimento de determinados títulos serem longos – alguns duram mais do que dez anos –, eles servem como uma garantia. São os recursos que o investidor já acumulou e não quer perder de jeito nenhum.

Para entender melhor, vale uma metáfora: a formação de um portfólio de investimentos pessoais deve ser entendida como a construção de uma casa. Para que toda a estrutura seja consistente, a primeira coisa a se pensar – e com que ter o maior zelo – são os alicerces.

“Se existe um olhar um pouco mais conservador na hora de começar os investimentos, todo o restante fica mais fácil de construir”, diz Germani.

A primeira coisa a pensar antes de aplicar na renda fixa é se você vai precisar do dinheiro no curto prazo ou não. Se não estiver com pressa – e é preciso ter certeza disso –, os títulos pós-fixados de prazo mais longo e com reposição da inflação podem ser uma boa ideia neste momento.

Com a fraqueza da atividade econômica, os agentes do mercado especulam reduções na taxa básica de juros, a Selic, no curto prazo. Isso favorece quem prefere deixar o dinheiro rendendo por mais tempo e aposta em juros maiores mais tarde.