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Remanescentes de supernova "escondidos" na Via Láctea são encontrados

Pesquisadores dos programas Evolutionary Map of the Universe (EMU) e PEGASUS uniram os recursos de ambas as iniciativas para estudar o enigma dos: remanescentes de supernova da Via Láctea: curiosamente, eles foram detectados em quantidade cinco vezes menor que aquela prevista por modelos. Como resultado, eles produziram a imagem de rádio mais detalhada já feita do plano galáctico da Via Láctea.

Os remanescentes de supernova são nebulosas difusas e em expansão que, como o nome indica, vêm da explosão das supernovas. Hoje, há menos de dez deles conhecidos, mas os astrônomos estimam que existam 1.500 ou até mais deles à espera para serem descobertos. Ao estudá-los, os cientistas podem entender melhor o passado da nossa galáxia.

Os remanescentes de supernova são formados pela explosão de estrelas em supernova (Imagem: Reprodução/NASA/CXC/GSFC/B. J. Williams et al.;ESA/STScI)
Os remanescentes de supernova são formados pela explosão de estrelas em supernova (Imagem: Reprodução/NASA/CXC/GSFC/B. J. Williams et al.;ESA/STScI)

Para isso, os pesquisadores combinaram observações dos radiotelescópios Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP) e Parkes/Murriyang, ambos da Austrália. A nova imagem revela filamentos e nuvens associadas ao hidrogênio gasoso preenchendo o espaço entre as estrelas, indicando também os locais em que novas delas se formam e, claro, os remanescentes de supernovas. Apesar de mostrar apenas 1% de toda a Via Láctea, a imagem revelou novos 20 candidatos a remanescentes.

As novas descobertas sugerem que eles estão próximos de encontrar aqueles que “faltavam” conforme os modelos mostraram, e são resultado de dados do programa EMU. Este é um projeto que trabalha com o radiotelescópio ASKAP para criar o mais completo atlas de rádio do céu do hemisfério sul. Para isso, os membros trabalham com medidas de 40 milhões de galáxias distantes e buracos negros supermassivos.

As imagens capturadas pelo ASKAP têm boa resolução, mas perdem emissões de rádio em maiores escalas. Assim, para recuperar as informações perdidas, os membros do projeto se voltaram para o projeto PEGASUS, que usa o telescópio Parkes/Murriyang. Apesar de ser um maiores radiotelescópios de antena única no mundo, ele tem resolução limitada.

Remanescentes de supernova presentes no plano da Via Láctea em imagem produzida a partir de dados de ambos os observatórios (Imagem: Reprodução/R. Kothes, NRC / PEGASUS Team)
Remanescentes de supernova presentes no plano da Via Láctea em imagem produzida a partir de dados de ambos os observatórios (Imagem: Reprodução/R. Kothes, NRC / PEGASUS Team)

Então, ao combinar as informações do Parkes e ASKAP, a equipe conseguiu preencher as lacunas deixadas pelos observatórios, chegando a uma imagem de alta fidelidade da região da Via Láctea: o PEGASUS registrou uma grande parte do plano da Via Láctea, e os dados do ASKAP e Parkes podem ajudar nos estudos dos remanescentes com enorme precisão.

“Esta combinação revela as emissões de rádio em todas as escalas para nos ajudar a revelar os remanescentes de supernova”, explica Andrew Hopkins, professor que lidera o programa EMU. Ele acrescenta que a soma dos conjuntos de dados do EMU e PEGASUS vão ajudá-los a revelar ainda mais “tesouros escondidos”. “Nos próximos anos, teremos uma visão sem precedentes de quase toda a Via Láctea, cerca de cem vezes maior que esta imagem inicial, mas com o mesmo nível de detalhes e sensibilidade”, finalizou.

Fonte: Canaltech

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