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'Remédio amargo', aumento da Selic para 2,75% foi 'ousado', dizem empresários

BRUNA NARCIZO
·3 minuto de leitura
****FOTO DE ARQUIVO***PODER -  O presidenciável Flavio Rocha, dono da Riachuelo, participa de bate-papo promovido pela socialite Rosangela Lyra.. 12/03/2018. (Foto: Marlene Bergamo/FolhaPress)
****FOTO DE ARQUIVO***PODER - O presidenciável Flavio Rocha, dono da Riachuelo, participa de bate-papo promovido pela socialite Rosangela Lyra.. 12/03/2018. (Foto: Marlene Bergamo/FolhaPress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central de elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, a 2,75% ao ano, surpreendeu empresários brasileiros.

“O mercado esperava 0,25 ou 0,50 [p.p. de aumento]. Foi um gesto ousado, mas necessário”, disse Flávio Rocha, da Riachuelo.

Segundo ele, a alta de juros não é boa para quem empreende. “Sobretudo nesse momento, com as cadeias produtivas abaladas e o monstro da inflação rondando. É um remédio amargo, mas que precisamos tomar.”

Horácio Lafer Piva, da Klabin, chamou a decisão de inevitável.

“[O BC] Mirou a inflação, que é de fato o custo mais injusto para os mais pobres. Esfria a economia e é uma pena, já que pode vir a afetar decisões de investimento e, consequentemente, emprego”, afirmou o empresário.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), no entanto, chamou a medida do BC de precipitada, enquanto a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) afirmou que a decisão vai na direção errada.

“Apesar dos choques de oferta que a economia vem sofrendo, ainda paira muita incerteza sobre o horizonte econômico de médio prazo. Por isso, entendemos que a elevação da Selic não é a melhor solução neste momento”, afirmou a Fiesp.

A federação paulista também diz que a elevação da Selic “dificulta o cenário para a atividade econômica em 2021, que já enfrenta inúmeros desafios em razão da persistência da pandemia.”

Para a Firjan, a alta é incompatível com o cenário econômico atual atual, "distante do seu nível potencial, com taxas de desemprego elevadas e muitas incertezas quanto aos efeitos da pandemia".

A entidade fluminense cobrou medidas mais contundentes em prol do equilíbrio fiscal e citou as reformas tributária e administrativa e privatizações. "Sem isso, corremos o risco de voltar a conviver com a tríade de crescimento baixo, inflação alta e juros de dois dígitos", afirmou.

Para José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), a elevação da taxa de juros vai contribuir para um aumento do desemprego.

"Os produtos vão ficar mais caros e vai diminuir o consumo, e isso afeta o emprego. Política monetária de aumento de juros é para frear a economia, que já está freada", disse ele.

Roriz também afirmou que não acredita que o aumento da Selic vá conter a inflação ou a desvalorização do real, sobretudo frente ao dólar. "O que contém a inflação é que as pessoas estão com menos dinheiro e consumindo menos, e 0,75 [ponto percentual] de elevação não vai trazer o dinheiro especulativo que multinacionais colocavam aqui na época que tínhamos os juros mais altos do mundo."

A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) avalia que a decisão do BC não vai trazer prejuízos ao processo de retomada do mercado imobiliário.

“Apesar do aumento da Selic, os juros seguem em patamares baixos, permitindo que as famílias continuem em busca da casa própria e os investidores confiantes no mercado”, afirmou Luiz França, presidente da entidade, em nota.

O presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), Synésio Batista da Costa, o Banco Central deve estar prevendo turbulências. "Não gosto, mas foi a atitude adequada. O BC tinha que fazer."

Para Fabio Barbosa, sócio-advisor da Gávea Investimentos, a elevação da Selic foi corajosa e correta.

“Era necessário o BC dar uma mensagem clara quanto ao seu compromisso de controlar a inflação que apresenta sinais preocupantes”, disse ele.

Ricardo Lacerda, presidente do BR Partners Banco de Investimentos, afirmou que mesmo com a economia mais fraca, a demora na aprovação das reformas e a deterioração fiscal inviabilizam a manutenção de uma taxa real de juros negativa no Brasil.

“A mudança de comportamento do BC, com um viés mais duro, é acertada. A política monetária precisava de um choque de credibilidade para conter a desvalorização excessiva da moeda, com evidentes consequências inflacionárias".

Esta é a primeira elevação da Selic desde julho de 2015, quando a autoridade monetária decidiu subir os juros em 0,5 ponto, a 14,25% ao ano.