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Relatório do TikTok mostra que China não censura usuários, diferente dos EUA

Felipe Junqueira

Depois de ter sido acusado de censurar conteúdos sensíveis ao regime chinês, o TikTok divulgou seu primeiro relatório de transparência informando a quantidade de pedidos feitos por agentes do governo (administração e judiciário) de todo o mundo. Surpreendentemente, a China não fez nenhum pedido de exclusão de conteúdo ou de informações sobre os usuários da plataforma.

Mas a surpresa não para por aí: os Estados Unidos foram um dos países que tiveram o maior número de pedidos, totalizando 85. Desses, 6 partiram de alguma entidade governamental, enquanto 79 foram feitos por agentes do judiciário, geralmente por conta de alguma ação movida por empresas ou pessoas físicas.

A Índia foi campeã, com 118 pedidos, sendo 11 por solicitações de agentes governamentais. Mais de 140 contas indianas foram afetadas de alguma maneira por esses pedidos, que podem ter sido desde uma solicitação de informações do usuário até a exclusão da conta. Nem todas são atendidas pela plataforma, que tem uma equipe jurídica para avaliar cada pedido. Os problemas da rede social com autoridades indianas não são novidade.

Assim como a China, o Brasil também não registrou nenhuma solicitação. Apenas os países listados tiveram algum registro de solicitação de dados de usuários, remoção de conteúdo ou da conta.

“Este relatório é apenas o esforço mais recente do nosso compromisso de ser transparente com a nossa comunidade sobre as maneiras pelas quais mantemos a experiência do aplicativo que os usuários esperam enquanto fornecemos as proteções que eles merecem”, diz a empresa no comunicado.

Histórico de acusações

TikTok é um dos apps mais baixados no mundo (Imagem: Divulgação)

É bom notar, no entanto, que o TikTok é voltado muito mais para o público fora da China. Os usuários do país estão presentes em maior número em outra plataforma da ByteDance, chamada Douyin, que de fato possui muito mais restrições que a versão global, por assim dizer.

Mesmo assim, em setembro, uma reportagem do jornal inglês The Guardian publicou que havia uma orientação do TikTok para seus moderadores censurarem conteúdo que poderia desagradar o governo chinês. Isso motivou a plataforma a divulgar esse relatório de transparência, prática comum entre grandes empresas de tecnologia. A ByteDance alega que a regra noticiada pelo Guardian não está mais valendo.

As acusações ganharam força em dezembro, principalmente nos EUA. Em novembro, a compra do app Musical.ly pela ByteDance motivou investigações de entidades americanas, que aproveitaram o fato de a aquisição não ter sido comunicada previamente ao Comitê de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos (CFIUS). Em dezembro, a plataforma foi mais uma vez acusada de enviar dados dos usuários ao governo chinês, o que teria levado a ByteDance a cogitar a venda do aplicativo.

O TikTok é um dos apps mais baixados no mundo, chegando a ficar com a terceira posição em novembro.

Fonte: Canaltech

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