Relatório de Inflação gera incertezas e juros têm alta

Os investidores em juros, aparentemente, ficaram desconfortáveis com o Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo Banco Central e puxaram as taxas futuras de juros para cima nesta quinta-feira. A leitura é que a autoridade monetária se mostrou otimista com a inflação, diante do atual cenário de pressões de preços e do quadro fiscal do governo, que segue com desonerações e política expansionista.

O relatório do BC reforçou que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo "suficientemente prolongado" é a "estratégia mais adequada" para garantir a convergência da inflação ao centro da meta, de 4,5%, afastando a ideia de ajuste da Selic.

Ao término da negociação normal na BM&F, o juro do contrato para janeiro de 2014 (317.625 contratos) estava na máxima de 7,14%, de 7,08% no ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2015 (229.300 contratos) indicava 7,82%, também na máxima, de 7,69% na quarta-feira. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (146.600 contratos) apontava máxima de 8,60%, de 8,50% na véspera, e o contrato para janeiro de 2021 (5.885 contratos) tinha taxa máxima de 9,30%, ante 9,20% no ajuste.

"O relatório deixou incertezas e o resultado é alta das taxas. O documento me pareceu muito passivo para o cenário atual de pressões inflacionárias. Além disso, haverá reajuste dos combustíveis em 2013, o que não foi considerado", afirmou o sócio gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

No documento, o BC aumentou a projeção de inflação para este ano, mas diminuiu a estimativa para 2013. Ambas ficaram acima do centro da meta. Para 2012, a previsão é inflação de 5,7%, uma alta de 0,5 ponto porcentual em relação ao relatório anterior. A inflação passaria de 5,5% no segundo trimestre de 2013 para 4,9% no terceiro trimestre, mantendo-se ligeiramente abaixo de 5,0% em 2013 e 2014.

Para o diretor de Pesquisas para a América Latina da Nomura Securities, Tony Volpon, após o BC manter a projeção de inflação ao redor de 5% em todo o horizonte e repetir o "mantra" de "estabilidade das condições monetárias por período de tempo suficientemente prolongado", pode-se concluir que a meta de inflação no Brasil avançou 0,5 ponto porcentual ante o patamar oficial, de 4,5%.

Quanto à meta de superávit primário, o BC segue com o cumprimento integral de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 e 2014. "Mas, com as desonerações que o governo tem concedido, não vamos atingir a meta", projetou o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, que prevê superávits primários de 2,3% em 2013 e de 2,7% em 2014.

O câmbio foi outro fator considerado pelo mercado. O BC usou uma taxa de R$ 2,05 em seu cenário de referência. Na visão dos agentes, o recado é que é impossível segurar a Selic no atual patamar, se a taxa de câmbio subir. "O dólar deve mesmo ser usado como fator auxiliar no controle da inflação", afirmou um profissional da área de renda fixa.

Em relação às perspectivas de crescimento, o BC estima que o PIB crescerá 1% em 2012. Para o ano que vem, em 12 meses até setembro, a estimativa é crescimento de 3,3%.

No exterior, os mercados continuam sob o impasse para a resolução do abismo fiscal dos Estados Unidos. A cautela prevalece. O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano John Boehner, afirmou que os democratas deveriam dizer o que aceitam, e não o que não aceitam. Afirmou também que o plano do presidente norte-americano, Barack Obama, é levar os EUA lentamente ao abismo fiscal.

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