Mercado fechado

Relacionamentos extraconjugais crescem mesmo durante a pandemia

Felipe Demartini
·3 minutos de leitura

As “fugidinhas” não deixaram de acontecer durante a pandemia do novo coronavírus, mas em alguns casos, se tornaram menos frequentes, mais higiênicas ou virtuais. É o que mostram os números do site Ashley Madison, focado em encontros extraconjugais para casados, que viu um aumento no número de usuários diários mesmo durante a pandemia, com o total saltando de 17 mil acessos por dia para uma média de 21 mil desde março deste ano.

No total, são 65 milhões de membros registrados na rede social e um fluxo de encontros que se manteve mesmo com o risco do coronavírus. Entretanto, a plataforma aponta mudanças no comportamento dos usuários, com uma redução geral no número de “dates” realizados — 65% do público afirmou estar sendo mais seletivo sobre outras pessoas, enquanto 65% afirmaram terem buscado alternativas criativas para manter o isolamento social. Outros 90%, ainda, afirmaram que pelo menos um encontro aconteceu pelo smartphone, de maneira virtual, durante a pandemia.

As melhores práticas de proteção e higiene também assumiram lugar de destaque. De acordo com os dados do Ashley Madison, 41% dos usuários utilizaram álcool em gel durante o encontro, 36% evitaram lugares ou lotados e apenas 11% mantiveram “dates” em locais de alta circulação, o que também serve como uma medida importante de segurança pessoal.

Em outro aspecto da pesquisa, mais de 80% dos usuários do Ashley Madison afirmaram que ter casos extraconjugais ajuda na manutenção do casamento. 29% deles afirmaram que as esposas ou maridos sabem que eles estão no site e, inclusive, possuem suas senhas de acesso, com a psicóloga matrimonial Tammy Nelson, que ajudou a plataforma a compor o estudo, afirmando que ter algo para esperar após o fim da pandemia, fora de casa, pode ajudar nestes tempos difíceis.

O diretor de estratégia do Ashley Madison, Paul Keable, concorda. Para ele, um casamento é mais do que apenas sexo, com os reflexos da pandemia modificando significativamente as dinâmicas dos casais que estão juntos há bastante tempo. O aumento no número de usuários e a manutenção dos encontros, afirma, é uma prova disso e, também, que muita gente está buscando fora o que não encontra dentro da própria casa.

Os resultados sobre a própria utilização do site combinam com outro estudo, chamado “Amor além do isolamento”, divulgado pelo Ashley Madison há algumas semanas. Nele, o site descobriu que 75% dos casais reduziram a frequência sexual ou não estavam mais transando durante a quarentena, na mesma medida em que 53% dos respondentes afirmaram estarem passando mais tempo com os cônjuges do que nunca, o que gerou um total de 41% de respostas afirmando que não se sentem mais, ou são menos atraídos pelos companheiros.

Na visão do site, voltado principalmente para homens, a busca por algo que está faltando no matrimônio é o motivo pelo qual 64% dos usuários se cadastraram, enquanto 74% pretendem parar de utilizar o Ashley Madison com o fim da pandemia. Outros 13%, porém, entregaram um motivo importante: ter alguém com quem se encontrar, que não faça parte da própria família, ajuda a recuperar um pouco do sentimento de normalidade que ficou para trás desde o começo da pandemia do coronavírus.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: