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Rejeição de indicada para Embaixada dos EUA em Brasília aumenta vazio diplomático americano

Indicada pelo governo de Joe Biden para servir como embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, a diplomata Elizabeth Bagley teve sua nomeação não aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado americano na última quinta-feira.

A votação na comissão terminou empatada por 11 votos a favor e 11 contrários, e aconteceu antes de uma pausa de duas semanas no Senado.

O líder da maioria na Casa, o democrata Chuck Schumer, pode agora pedir para que a indicação seja considerada por todos os senadores, mas é improvável que isso vá acontecer, e o mais esperado é que haja a indicação de algum outro nome.

Com isso, se prolongará o período que o Brasil ficará sem embaixador dos Estados Unidos. O cargo, considerado fundamental para a relação entre os dois países, está desocupado há mais de um ano, desde que Todd Chapman, indicado pelo ex-presidente Donald Trump, anunciou sua aposentadoria no ano passado. Bagley foi indicada em janeiro.

A vacância da embaixada integra uma longa lista de embaixadas americanas desocupadas. Em um contexto de forte polarização, senadores republicanos — liderados por Ted Cruz, do Texas – têm usado manobras processuais para retardar a confirmação de dezenas de embaixadores e de outras nomeações nos departamentos de Defesa, Segurança Interna e Estado. Se as indicações costumavam acontecer de modo protocolar, atualmente se tornaram moeda de troca política.

De um total de 190 vagas de embaixador, 52 delas, todas de indicações do governo Biden, estão à espera de aprovação pelo Senado. Outras 22 posições não tiveram ainda suas indicações realizadas. Isto significa que 38% das embaixadas americanas estão sem embaixador. Além do Brasil, países como Itália, Índia e Colômbia atualmente se encontram nessa situação.

A recusa de Bagley, que integra a diplomacia americana há mais de 40 anos, aconteceu após a divulgação de uma entrevista de 1998 com a embaixadora, na qual ela deu declarações sobre Israel que despertaram críticas de republicanos e democratas defensores do país do Oriente Médio.

Durante o depoimento de quase 25 anos atrás, concedido a um pesquisador da Associação de Estudos e Formação Diplomática para um projeto de História Oral, Bagley lamentou "a influência do lobby judaico, porque há muito dinheiro envolvido".

Ela também disse que "os democratas sempre tendem a ir com o eleitorado judeu em Israel e dizem coisas estúpidas, como mudar a capital para Jerusalém". O apoio para essas questões se deve, segundo ela, “ao dinheiro”.

Embora suas opiniões não sejam totalmente estranhas ao campo de estudos das Relações Internacionais — o livro de 2007 “The Israel Lobby and US Foreign Policy”, de John Mearsheimer, da Universidade de Chicago, e Stephen Walt, da Universidade de Harvard, dois dos maiores nomes da área, defende teses análogas —, a descoberta do documento, pelo veículo de Washington Free Beacon, teve forte repercussão negativa em um país aliado de Israel.

Durante uma sabatina de confirmação em 18 de maio com a comissão, Bagley afirmou que as declarações eram o resultado de uma "discussão livre" com o entrevistador. Ainda assim, houve críticas até de democratas.

— A linguagem que você usou em relação à comunidade judaica, a influência de Israel em nossa eleição e o dinheiro judaico me preocupam — disse o senador Ben Cardin, democrata de Maryland. — A escolha das palavras se encaixou nas figuras tradicionais do antissemitismo.

— Lamento que você pense que isso é um problema — disse Bagley a Cardin. — Eu certamente não quis dizer nada neste sentido. Foi uma má escolha de palavras, mas foi algo que o entrevistador me perguntou, motivado por algo sobre política.

Bagley acrescentou que estava "muito triste com a sua escolha de palavras".

Na sabatina, Bagley também demonstrou confiança nas instituições brasileiras e na capacidade do país de realizar eleições democráticas, em declarações entendidas como críticas implícitas ao presidente Jabir Bolsonaro.

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