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Reino Unido exclui Huawei de sua rede de telecomunicações 5G

Por Anna CUENCA
·3 minuto de leitura
Sede no Reino Unido da Huawei

O governo britânico anunciou nesta terça-feira (14) a progressiva exclusão da gigante chinesa de equipamentos de telecomunicações Huawei do desenvolvimento de sua rede 5G, que estará completa até o final de 2027, correndo o risco de exacerbar as tensões com Pequim.

"A rede 5G será transformadora para o nosso país, mas somente se confiarmos na segurança e resistência das infraestruturas nas quais é construída", disse o ministro da Cultura e do Setor Digital, Oliver Dowden, ao anunciar a decisão na Câmara dos Comuns.

A exclusão da Huawei, cujo equipamento é usado há anos no desenvolvimento das redes 3G e 4G britânicas, será feita progressivamente.

A partir de 31 de dezembro, as operadoras de telecomunicações serão proibidas de comprar novos equipamentos 5G do grupo chinês. E terão até o final de 2027 para remover todo o material antigo da Huawei de suas redes, disse Dowden.

O ministro justificou essa decisão devido à "incerteza" causada pelas sanções anunciadas em maio contra a Huawei por Washington.

O presidente Donald Trump acusa o grupo tecnológico chinês de ser um espião de Pequim, o que a empresa nega, e está determinado a impedir seu acesso aos semicondutores fabricados com componentes americanos.

Para o governo britânico, o uso de materiais de substituição pela Huawei pode representar riscos de segurança que não haviam sido considerados até agora.

- Tensões com Pequim -

"Infelizmente, nosso futuro no Reino Unido foi politizado, isso é uma questão de política comercial dos Estados Unidos e não de segurança", denunciou o porta-voz da Huawei em Londres, Ed Brewster.

O porta-voz também se declarou "decepcionado" com uma decisão que "ameaça desacelerar" o desenvolvimento digital britânico e "aumenta as contas" dos usuários, uma vez que os equipamentos de seus concorrentes são mais caros.

A decisão, sem dúvida, contribuirá para exacerbar as tensões com Pequim.

Na semana passada, o embaixador da China em Londres, Liu Xiaoming, havia alertado que excluir a Huawei poderia prejudicar a reputação internacional do Reino Unido e desgastar a confiança de outros investidores estrangeiros.

E sugeriu que isso mostraria que o país se dobra à pressão estrangeira", em uma clara referência a Washington.

As relações entre o Reino Unido e a China tornaram-se mais tensas nas últimas semanas com a entrada em vigor de uma lei de segurança controversa imposta por Pequim a Hong Kong - uma ex-colônia britânica - e que provocou uma forte reação de Londres.

Em reação, Downing Street prometeu estender os direitos de imigração e, eventualmente, o acesso à cidadania britânica, a milhões de pessoas de Hong Kong.

- Eliminação 'completa' e 'irreversível' -

O Executivo britânico apresentará uma nova lei de segurança para telecomunicações, que espera que seja aprovada o mais rápido possível, para estabelecer "uma maneira irreversível de eliminar completamente os equipamentos Huawei de nossas redes 5G", explicou Dowden.

A decisão foi anunciada ao final de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional (NSC) presidida pelo primeiro-ministro conservador Boris Johnson.

O líder conservador, que durante a campanha legislativa de dezembro prometeu melhorar e estender a rede de telecomunicações do país, havia escolhido em janeiro permitir à Huawei uma participação limitada em sua futura rede 5G, citando uma vantagem tecnológica e de custo sobre seus concorrentes.

No entanto, na semana passada, sugeriu uma possível mudança de postura, destacando os riscos para a segurança nacional.

Grandes operadoras de telefonia britânicas, como BT e Vodafone, alertaram que a retirada total deste equipamento de suas redes 4G, sobre as quais a nova geração está sendo desenvolvida, seria "impossível" em menos de dez anos e poderia causar avarias e problemas de segurança.

"Esta não foi uma decisão fácil, mas é a correta para as redes de telecomunicações do Reino Unido, para nossa segurança nacional e nossa economia", disse Dowden aos deputados.