Mercado fechará em 1 h 20 min

Reino Unido caminha para atingir déficit recorde em tempos de paz

Valor
·3 minutos de leitura

Valor destinado para o combate à pandemia nos cinco primeiros meses do ano é 11 vezes maior do recorde no período As finanças públicas do Reino Unido continuam avançando para um recorde déficit em tempos de paz no ano fiscal de 2020-21, com o governo central destinando 221,2 bilhões de libras nos cinco primeiros meses para enfrentar a covid-19. Embora a cifra tenha sido menor que a projeção do Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR), as estatísticas oficiais ainda não incorporaram as perdas esperadas em empréstimos apoiados pelo governo para empresas e mais 24 bilhões em gastos com o Serviço Nacional de Saúde (NHS), para a compra de vacinas e testes para detectar a covid-19. Os números foram revelados pelo Tesouro britânico nesta quinta-feira e divulgados em reportagem do jornal “Financial Times”. Entre abril e agosto, o governo precisou de 221,2 bilhões, um número 11 vezes maior que o recorde para o período até então na série histórica, que começou a ser feita há 36 anos. As preocupações com o déficit muito alto, que elevou a relação entre a dívida pública e o PIB para mais de 100% pela primeira vez desde o início dos anos 1960, motivaram a decisão do ministro das Finanças, Rishi Sunak, de modificar o programa de proteção aos empregos no Reino Unido. Neste ponto do ano fiscal, quando os estatísticos ainda não têm certeza sobre as relações entre a economia e as receitas fiscais, é provável que haja revisões pesadas nos dados sobre as finanças públicas, caso, por exemplo, do endividamento líquido do setor público. A dívida líquida do setor público foi revisada para baixo em julho, para 11,2 bilhões de libras, deixando os números oficiais em uma situação melhor que a previsão do OBR para esta fase do ano fiscal. O órgão disse que os números mensais são preliminares, mas economistas viram os dados com otimismo, dizendo que eles haviam superado as expectativas apesar do enorme endividamento. Andrew Wishart, da Capital Economics, disse ao “FT” que a dívida estava 22% abaixo das expectativas do OBR para os cinco primeiros meses do ano fiscal. Se a tendência se mantiver, isso levaria o endividamento a 290 bilhões de libras em 12 meses, o equivalente a 14% do PIB. Já Samuel Tombs, da Pantheon Macroeconomics, afirmou que o esquema menos generoso de apoio ao emprego anunciado por Sunak ontem garantirá uma redução drástica do endividamento no restante do ano. No entanto, ele espera que também haja efeitos sobre o PIB a partir de setembro. O endividamento cresceu por causa da enorme resposta fiscal do governo de Boris Johnson à pandemia. O Reino Unido lançou programas de apoio a empresas e a famílias, além de gastar mais em saúde por causa da crise. Assim como em outros países, a arrecadação de impostos também caiu. O Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) informou que a receita fiscal do governo foi de 37,3 bilhões de libras em agosto, uma queda de 7,5 bilhões de libras na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Já os gastos chegaram a 78,5 bilhões de libras, uma alta de 19,5 bilhões de libras em relação a agosto de 2019. Homem usando máscara deixa a estação de metrô Westminster, em Londres Frank Augstein/AP