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Reino Unido adia fim das restrições anti-Covid após aumento de casos provocados pela variante Delta, da Índia

·5 minuto de leitura

LONDRES — Diante do aumento de casos de Covid-19 no Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou nesta segunda-feira o adiamento da etapa final do cronograma de desconfinamento britânico, que estava prevista para o próximo dia 21. Apenas nas últimas duas semanas, o país viu os diagnósticos crescerem 127%, impulsionados pela disseminação da variante Delta, primeiramente identificada na Índia, apesar da acelerada vacinação.

O "dia da liberdade", como a data vem sendo chamada pela imprensa local, será adiado por quatro semanas, para 19 de julho. Em duas semanas, haverá uma reavaliação das estatísticas epidemiológicas e do ritmo da vacinação no país — se o panorama superar as expectativas, a reabertura poderá ser antecipada.

O atraso, segundo o premier, é necessário para que mais pessoas possam receber as duas doses: segundo pesquisas preliminares, uma vacina só é apenas 33% eficiente para conter casos sintomáticos da nova cepa, que já é responsável por 90% dos diagnósticos no país. Um estudo divulgado nesta segunda pelo governo, no entanto, aponta que as duas injeções da Pfizer-BioNTech são 96% eficientes contra internações e as da Universdade Oxford-AstraZeneca, 92%.

Nas próximas quatro semanas, o plano é acelerar a imunização e diminuir o prazo entre as vacinas de 12 para oito semanas para todos com mais de 40 anos. Até 19 de julho, o governo espera que dois terços da população adulta receba as duas doses, incluindo todos com mais de 40 anos. No fim deste prazo, todos os britânicos maiores de idade já estarão aptos para se vacinar, disse Boris:

— A coisa sensata a ser feita é esperar um pouco mais — disse o premier, afirmando que o país precisa aprender a conviver com o vírus. — Ao sermos cautelosos agora, teremos a oportunidade nas próximas semanas de salvar milhares de vidas ao vacinarmos mais milhares de pessoas — completou, afirmando que está "confiante" de que um novo adiamento não será necessário, apesar de não descartar a opção.

O Reino Unido entrou em uma quarentena total no fim do ano passado, para conter a segunda onda da pandemia. Desde fevereiro, as restrições são gradualmente aliviadas em um plano de quatro etapas de cinco semans. Com a etapa derradeira do desconfinamento, as restrições ainda pendentes seriam removidas, com a reabertura de teatros e boates, a retomada de grandes eventos e o fim da ordem para o trabalho remoto.

O governo, contudo, acabou com o limite de 30 pessoas em casamentos e velórios, afirmando que a capacidade será definida a depender do tamanho do espaço. Os jogos da Eurocopa marcados para o estádio de Wembley, considerados eventos-teste, também poderão continuar a receber até 22,5 mil torcerdores, 25% de sua lotação.

Há semanas, especialistas de saúde vinham defendendo o adiamento do fim das restrições, e o próprio governo já sinalizava que isso ocorreria. Como apontou o premier, diante da variante Delta — que é entre 40 e 80% mais contagiosa que a Alfa, responsável pelo surto que o Reino Unido viu no fim do ano passado — os novos casos vêm tendo um aumento semanal médio de 64% e as internações na Inglaterra, 50%.

Os 7.742 diagnósticos registados nesta segunda feira, contudo, ainda são uma fração da média de 59,8 mil diagnósticos vistos em janeiro. As explicações para a dimensão reduzida deste surto são indissociáveis da vacinação: o Reino Unido tem uma das campanhas mais velozes do planeta, e já aplicou a primeira dose em 61,2% da sua população e as duas, em 43,9%. Entre os adultos, quase 80% receberam ao menos uma dose e 56,6% receberam as duas.

Com os grupos mais vulneráveis maciçamente vacinados, além de uma cobertura significativa entre a população geral, as mortes cresceram apenas 7% nas últimas duas semanas. Em média, hoje há cerca de nove óbitos por dia no país — em 23 de janeiro, morriam 1.253 pessoas diariamente.

Na Inglaterra, a partir de terça, todos com mais de 24 anos estarão aptos para agendar suas vacinas. Na Escócia, a campanha está aberta para quem tem mais de 30 anos — exceto em partes de Glasgow, onde todos com mais de 18 anos já podem ser inoculados. A vacinação também está aberta para todos os adultos na Irlanda do Norte e no País de Gales.

Os novos casos concentram-se justamente na população ainda não vacinada, em sua maioria jovem, e naqueles que receberam apenas uma injeção: de acordo com as estatísticas do governo, cerca de 2 milhões de britânicos com mais de 50 anos não tomaram as duas doses, apesar de estarem aptas, e outras 4 milhões receberam apenas uma. Entre aqueles entre 18 e 49 anos, os números são respectivamente 13 milhões e 21 milhões.

Já entrando no 16º mês de crise sanitária e com dados epidemiológicos inegavelmente mais maenos, há um certo clima de frustração no país. Andrew Lloyd Webber, o célebre produtor de musicais como Cats, Fantasma da Ópera e Evita, disse que irá reabrir seus teatros na West End a qualquer custo no fim do mês — afirmou, inclusive, que está disposto a ser preso para que isso ocorra.

Para o próprio premier, o atraso é uma derrota política: Boris hesitou ao máximo para impor uma quarentena no início do ano passado, em uma resposta internacional amplamente criticada. Diante da segunda onda, no fim do ano passado, também postergou sua reimposição.

O anúncio desta segunda, apesar de em consonância com os especialistas, ameaça enfurecer setores do seu Partido Conservador após mais de um ano de crise — e, principalmente, do seu impacto na economia. Alguns deputados prometem votar contra o adiamento recém-anunciado no Parlamento, que precisará aprovar as medidas. O risco de obstração parlamentar, contudo, é baixíssimo, já que a oposição trabalhista apoia a decisão do premier.

Críticos argumentam que há um excesso de cautela e que o aumento pode ser contido de outras formas, como com medidas focalizadas em áreas de surto. A maioria da população, no entanto, crê que o adiamento é necessário: segundo uma pesquisa encomendada pela Observer, 54% dos britânicos disseram que são favoráveis à medida, em comparação com 43% há duas semanas.

O adiamento afetará principalmente os setores do entretenimento, como os teatros de Lloyd Webber, que previam recuperar parte das perdas no início da alta temporada de verão. É prejudicial também para bares e pubs que precisam operar com capacidade reduzida em meio às férias e esperavam poder contar com a lotação total para a transmissão dos jogos da Eurocopa. O atraso, segundo o setor de hospitalidade, pode custar até 3 bilhões de livras.

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