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Refugiada que salvou 18 pessoas no Mediterrâneo fica em último nos 100m borboleta

·3 minuto de leitura
Yusra Mardini competindo nos Jogos de Tóquio. Foto: Oli Scarff/AFP via Getty Images
Yusra Mardini competindo nos Jogos de Tóquio. Foto: Oli Scarff/AFP via Getty Images

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Em 2015, Yusra Mardini, 23, quase se afogou no Mar Mediterrâneo na tentativa de fugir da guerra civil na Síria, seu país natal. 

Seis anos depois, deixou a água da piscina no centro aquático de Tóquio sorrindo. Ela competiu nas Olimpíadas pela segunda vez. 

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Autora de livro, embaixadora da ONU e porta-voz de sua comunidade, a nadadora participou neste sábado (24) de manhã (horário de Brasília) das qualificatórias para os 100 metros borboleta no Centro Aquático da capital japonesa. 

Contra apenas duas oponentes (geralmente são usadas oito raias da piscina), ela terminou em último. 

Ficou a quase cinco segundos da vencedora, Mariam Sheikhalizadehkha, do Azerbaijão. Entre as 33 atletas que participaram da categoria, Yusra fez o pior tempo. E daí? 

"Minha preparação foi a melhor possível. Treinei como nunca, mas a gente sabe que nas Olimpíadas estão os melhores", afirma a nadadora que terá um documentário produzido pela Netflix, com lançamento previsto para 2022. 

Também escreveu uma biografia chamada "Butterfly" (Borboleta), referência ao seu estilo preferido na natação, mas também à imagem de liberdade. 

Nadar não é apenas a vida de Yursa, mas foi também sua salvação. Yusra estava em um barco com excesso de passageiros que tentava atravessar o Mar Mediterrâneo em direção à Europa. O motor parou de funcionar. Ela e sua irmã, Sarah, nadaram por quase três horas e empurraram a embarcação na direção na direção da Grécia. Foram salvas 18 pessoas. 

"Se eu me afogasse seria uma vergonha. Eu sou uma nadadora!", disse a síria, em entrevista para campanha da ONG Together Through Sport (Juntos Através do Esporte, em inglês). 

Yusra Mardini salvou 18 pessoas. Foto: REUTERS/Fabrizio Bensch
Yusra Mardini salvou 18 pessoas. Foto: REUTERS/Fabrizio Bensch

Pouco mais de um ano depois, chamada para a equipe de refugiados montada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), participou da Rio-2016. Também nos 100 metros borboleta, ela ganhou sua primeira prova na edição carioca das Olimpíadas, mas terminou em 41º entre 45 nadadoras. 

Quando adolescente, em Damasco, ela praticava natação e chegou a representar a Síria em torneios da FINA (Federação Internacional de Natação). Sua casa foi destruída em um bombardeio. As irmãs fugiram para o Líbano antes de tentarem a travessia pela Mediterrâneo. 

Yusra atualmente vive em Hamburgo, na Alemanha. Na chegada a Tóquio, a atleta disse que o importante era chamar a atenção para a causa dos refugiados. 

"Nós somos gente normal, com profissões e talentos. Pessoas que tiveram de fugir de seus países não porque quiseram, mas por causa de uma guerra", lembrou. 

Depois de competir na Rio-2016, ela se encontrou com o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e teve audiência com o Papa Francisco. Também foi convidada para falar no Fórum Econômico Mundial, em Davos. 

"Se os outros refugiados ficarem orgulhosos de mim, se eu servir como exemplo e se as pessoas perceberem que somos pessoas que merecem oportunidades, meu trabalho estará cumprido", disse ela ao ter sua vaga confirmada em Tóquio. 

Não por acaso Yusra Mardini deixou a piscina em Tóquio com um sorriso, porque o tempo e a posição foram o que menos importaram.

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