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Refresco da pandemia faz PIB crescer 1% no primeiro trimestre

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*Arquivo* RIO DE JANEIRO, RJ, 19.04.2022 - Consumidores circulam por feira livre na zona sul do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*Arquivo* RIO DE JANEIRO, RJ, 19.04.2022 - Consumidores circulam por feira livre na zona sul do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um cenário de derrubada de restrições e reabertura da economia, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre de 2022, frente aos três meses imediatamente anteriores, apontam dados divulgados nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A alta foi puxada pela volta dos serviços, o principal setor pela ótica da oferta no PIB. O segmento, que havia sido abalado pelas medidas restritivas para conter a Covid-19, também subiu 1% em relação ao final de 2021.

"Essa alta ainda é reflexo da reabertura da economia, com o retorno de negócios que ficaram fechados no auge da pandemia, como academias, salões de beleza e restaurantes", avalia a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.

Apesar de positivo, o desempenho do PIB no primeiro trimestre ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado financeiro. Na mediana, analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam alta de 1,2%.

O PIB busca medir a produção de bens e serviços no país a cada trimestre. O avanço do indicador é usualmente chamado de crescimento econômico.

PROJEÇÃO DE PERDA DE FÔLEGO

O avanço modesto mantém no radar preocupações com o cenário econômico nos próximos meses. Analistas enxergam uma possível perda de fôlego da atividade ao longo do segundo semestre de 2022.

Essa perspectiva está associada ao efeito maior dos juros elevados, acompanhado de uma inflação que dá sinais de persistência.

O crédito mais caro e a alta dos preços são vistos como possíveis freios para o consumo nos próximos meses, em um cenário em que o efeito econômico da reabertura dos negócios deve se dissipar.

"Daqui para frente, a expectativa é um pouco mais negativa. O efeito dos juros altos no Brasil tem uma defasagem para aparecer. Deve atrapalhar no segundo semestre", analisa o economista Luca Mercadante, da Rio Bravo Investimentos.

ACIMA DO PRÉ-PANDEMIA, MAS ABAIXO DO RECORDE

A alta de 1% é a terceira elevação consecutiva observada no indicador. Com isso, o PIB ficou 1,6% acima do patamar pré-pandemia (quarto trimestre de 2019).

Contudo, segue 1,7% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica no país, registrado no primeiro trimestre de 2014.

Em outras palavras, o indicador recuperou as perdas geradas pela Covid-19, mas ainda não superou todos os impactos da crise que abateu a economia brasileira entre 2014 e 2016. O nível da atividade econômica é similar ao de meados de 2013, de acordo com o IBGE.

"O cenário do primeiro trimestre é de uma economia saindo da pandemia. Os serviços tiveram uma recuperação mais vigorosa", avaliou o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.

"O processo de retomada da economia tem gerado efeitos mais longos do que se esperava inicialmente. Esse é o ponto principal", diz Luca Mercadante, da Rio Bravo.

CLIMA ADVERSO PREJUDICA DESEMPENHO

A indústria ficou estagnada no primeiro trimestre, com pequena variação de 0,1%. Já a agropecuária caiu 0,9%.

Em ambos os casos, houve impacto do clima. Dentro da indústria, o ramo extrativo caiu 3,4% com as fortes chuvas em regiões como o Sudeste. Esse fenômeno dificultou a produção de minério de ferro, sinalizou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Já a agropecuária sentiu o peso da seca no Sul. A estiagem castigou culturas como a soja.

"A agropecuária caiu muito por conta da soja, que tem peso relevante no primeiro trimestre", afirmou Palis.

CONSUMO SOBE, MAS JUROS E INFLAÇÃO TRAZEM RISCOS

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias teve alta de 0,7% no primeiro trimestre de 2022. O indicador foi influenciado especialmente pela volta de serviços, conforme Palis.

Para a economista Julia Gottlieb, do Itaú Unibanco, a perspectiva é que o consumo continue aquecido no segundo trimestre. No entanto, na metade final do ano, a atividade tende a desaquecer, conforme a analista.

"O cenário que temos é de continuidade de aumento de juros pelo Banco Central. A perspectiva para o segundo semestre, portanto, é de perda de força da atividade, muito por efeito da política monetária. Revisamos nossa projeção para o PIB de 2022, de 1,0% para 1,6%, mas mantemos projeção de crescimento modesto em 2023 (0,2%)."

A economista entende que a inflação e os baixos salários têm tirado força da recuperação da economia e devem ser um agravante no segundo semestre.

"Os salários reais ainda não se recuperaram ao nível pré-pandemia, e a inflação mais alta impacta o consumo."

O IBGE também informou que os investimentos produtivos na economia brasileira, medidos pelo indicador de FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), caíram 3,5% de janeiro a março, o que abre um horizonte preocupante para o futuro.

REVISÃO NOS DADOS

Tradicionalmente, o IBGE revisa dados do PIB de trimestres anteriores. Não foi diferente desta vez. A alta do quarto trimestre de 2021, por exemplo, ficou maior, passando de 0,5% para 0,7%.

O instituto ainda informou que o PIB do primeiro trimestre de 2022 cresceu 1,7% na comparação com igual período do ano passado. Nesse recorte, a expectativa de analistas de mercado era de avanço de 2,1%, conforme a Bloomberg.

No acumulado dos últimos quatro trimestres, o PIB acumula crescimento de 4,7%, influenciado, em parte, pela base de comparação fragilizada pela pandemia. Em valores correntes, o indicador alcançou R$ 2,249 trilhões de janeiro a março.

"Nossas projeções, por ora, indicam uma alta entre 1% e 1,5% no segundo trimestre e, a partir do segundo semestre, deve ocorrer uma desaceleração mais forte. Nossa estimativa é que o PIB cresça 1,5% em 2022", aponta Moreno, do C6 Bank.

O banco Goldman Sachs adota leitura semelhante. Parte do ímpeto de crescimento do primeiro trimestre deve se manter entre abril e junho, mas o segundo semestre do ano deve enfrentar ventos contrários, diz relatório da instituição.

"Há fatores como condições financeiras domésticas muito difíceis, inflação de dois dígitos, nível recorde de endividamento das famílias e incertezas eleitorais."

Na visão do Bank of America, a atividade começou 2022 em ritmo forte, mas é esperado que o PIB desacelere à medida que a elevação dos juros comece a dificultar a demanda interna.

"As contas externas estão se beneficiando de melhores condições de comércio, mas a desaceleração global é um risco para o próximo semestre", acrescenta.

"A inflação também é uma preocupação. No geral, mesmo com o aumento de 1% no primeiro trimestre tendo vindo abaixo das expectativas, nossas previsões permanecem em 1,5% para 2022."

A economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitoria, considera que o PIB apresentou desempenho "robusto" no primeiro trimestre com a demanda por serviços de volta. Ela concorda com a previsão de perda de ímpeto nos próximos trimestres.

"A gente espera uma desaceleração. A economia está mais robusta hoje", diz Vitoria, que prevê alta no acumulado do ano de 1,5% a 2%.

Analistas ponderam que a reação do PIB, um indicador de produção de bens e serviços, nem sempre é sentida pela população na mesma medida. É o caso atual, conforme Sergio Vale, da consultoria MB Associados.

"A população está sofrendo com inflação e desemprego ainda alto. Assim, fica difícil perceber uma vida melhor. O desemprego caiu, mas segue em dois dígitos, assim como a inflação", afirma.

CÁLCULO DO PIB

Produtos, serviços, aluguéis, serviços públicos, impostos e até contrabando. Esses são alguns dos componentes do PIB, calculado pelo IBGE, de acordo com padrões internacionais. O objetivo é medir a produção de bens e serviços no país em determinado período.

O indicador mostra quem produz, quem consome e a renda gerada a partir dessa produção. O crescimento do PIB (descontada a inflação) é usualmente chamado de crescimento econômico.

O levantamento é apresentado pela ótica da oferta (o que é produzido) e da demanda (como esses produtos e serviços são consumidos). O PIB trimestral é divulgado cerca de 60 dias após o fim do período em questão.

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