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Reencontro com técnico e preparação na Espanha levaram Ana Marcela ao ouro

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**ARQUIVO** SANTOS, SP, 04.04.2017: A nadadora Ana Marcela Cunha. (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)
**ARQUIVO** SANTOS, SP, 04.04.2017: A nadadora Ana Marcela Cunha. (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Assim que saiu das águas do Odaiba Marine Park, a nadadora Ana Marcela Cunha, 29, reuniu forças para levantar os punhos e dar um abraço em seu técnico, Fernando Possenti. Ambos estavam emocionados, e a brasileira chorava aliviada com o peso que acabara de tirar das costas.

Por 13 anos, entre o quinto lugar na estreia em Pequim-2008 e o ouro em Tóquio nesta terça-feira (3), a baiana colecionou 12 pódios de títulos mundiais, mas procurava a felicidade nas Olimpíadas.

Favorita ao ouro no Rio de Janeiro, ela terminou com a 10ª colocação e admitiu ter cometido erros estratégicos. No ano seguinte, a atleta voltou a trabalhar com Possenti -com quem havia rompido em 2015.

Começou ali, depois dos Jogos do Rio, o projeto de medalha no Japão. "O cara que está aí do seu lado [disse Ana para um repórter] é quem mais acreditou em mim. O Fer foi quem me trouxe até esse lugar", falou a nadadora, durante a coletiva.

Em junho, na última etapa de preparação antes das Olimpíadas, Ana Marcela e Possenti foram para Sierra Nevada, na Espanha, que fica 2.320 metros acima do mar para que a atleta atingisse o ápice da condição física.

"A estratégia foi de suma importância, e a gente conseguiu colocar em prática, o que muitas das vezes isso não acontece", disse o treinador à Folha.

Ana se manteve no pelotão da frente durante toda a prova. Na primeira metade dos 10 mil km, ela chegou a cair para o quinto lugar. A norte-americana Ashley Twichell, que mais ameaçou Ana no começo, apresentava frequência de braçadas superior à da brasileira, 46 por minuto contra 37.

"A Ana estava sim com a frequência de braçadas mais baixa que as adversárias, porém, gerando a mesma velocidade. Pode ver que ela não ficava para atrás do pelotão e chegou [para reta final] mais tranquila, menos desgastada", afirma Possenti.

Na parte final da prova, Ashley Twichell não conseguiu manter o ritmo, mas a brasileira passou a ser ameaçada pela holandesa Sharon van Rouwendaal, campeã nos Jogos do Rio-2016. Ana Marcela recuperou a liderança com menos de 1,5 km para o final e partiu para o seu sprint.

"A Ana conseguiu se impor, ditar um ritmo interessante que fez com que o pelotão se fragmentasse, e o pelotão [fragmentado] tem menos força de alcance quando um atleta consegue se desgarrar. E ela conseguiu isso sem se desgastar com uma técnica muito boa. Foi essa estratégia que permitiu ela chegar com gás no final da prova", avalia o técnico.

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