Redução de gastos e endividamento continuam na pauta de discussão dos EUA

María Peña.

Washington, 2 jan (EFE).- Os Estados Unidos conseguiram evitar o chamado abismo fiscal, que poderia levar o país rumo à recessão, mas o Congresso, cuja 112ª legislatura termina nesta quarta-feira, não foi capaz de resolver assuntos importantes como a redução do gasto público e uma alta no teto do endividamento público.

Ambas as casas do Parlamento aprovaram ontem, embora em um ambiente bastante tenso, um plano fiscal que torna permanente os cortes tributárias para 98% dos americanos e 97% das pequenas empresas, mas que aumentou os impostos para os lares com renda superior a US$ 450 mil anuais.

Apesar do acordo bipartidário, a 113ª legislatura começará amanhã com uma grande desconfiança entre democratas e republicanos, que terão que enfrentar em breve assuntos como o aumento do teto da dívida pública e cortes dos gastos públicos, que o Congresso postergou para daqui a dois meses.

No final de fevereiro, o Congresso terá que votar uma medida para elevar o teto de endividamento do país, e segundo os analistas os parlamentares vão tentar evitar o desastre de agosto de 2011, quando os Estados Unidos estiveram perto de cair em moratória e a agência Standard & Poor rebaixou, pela primeira vez na história, a classificação de risco do país.

Na segunda-feira, os Estados Unidos alcançaram o limite de endividamento de US$ 16,39 trilhões, e o Departamento do Tesouro notificou o Congresso que iniciaria "medidas extraordinárias" para impedir uma interrupção de pagamentos e das atividades do governo.

Além disso, em março, os legisladores terão que retomar o debate sobre os cortes de gastos públicos, avaliados em US$ 110 bilhões, o que ficou postergado após o acordo pactuado entre o Congresso e a Casa Branca.

Esses cortes automáticos do gasto público, estipulados em 2011 como parte de um plano para reduzir automaticamente o déficit, afetarão todas as agências do governo federal, incluindo o Pentágono, que já sofreu uma diminuição de US$ 487 bilhões em seu orçamento em fevereiro de 2012.

Além das negociações para reduzir o déficit e fortalecer a estabilidade fiscal dos EUA, o Congresso também precisará reativar o diálogo sobre as reformas no sistema de seguridade social.

E a essas questões polêmicas, deve-se acrescentar o previsível confronto, no final de março, sobre o financiamento das operações do governo federal, mantidas até agora graças a medidas orçamentárias temporárias.

Segundo analistas, o problema a longo prazo é que o governo federal gasta mais do que recebe, o que o obriga a um maior endividamento.

O Departamento de Orçamento do Congresso advertiu sobre grandes problemas fiscais se o governo não iniciar reformas para a próxima década.

Por enquanto, ambos os partidos não tem um consenso sobre como fazer isso, e a falta de ação do Congresso fez com que os legisladores tivessem os níveis mais baixos de aceitação popular da história.

O enfrentamento entre democratas e republicanos sobre como evitar o abismo fiscal diminuiu a influência política do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, que no início das negociações se manteve intransigente a aumentar os impostos para os mais ricos.

Embora ninguém coloque em dúvida que Boehner ficará no cargo, a disputa o deixou em uma posição enfraquecida: ele votou a favor do plano tributário, mas Eric Cantor e Kevin McCarthy, números dois e três da bancada republicana na câmara Baixa, respectivamente, votaram contra.

Embora a maioria dos republicanos no Senado aprovou o plano fiscal (a votação final foi de 89 a 8), na câmara baixa o "sim" só conseguiu 85 votos dos republicanos, incluindo o ex-candidato à vice-presidência dos EUA Paul Ryan. EFE

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