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Redução do auxílio emergencial não vai diminuir demanda na economia, diz secretário de Guedes

BERNARDO CARAM
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*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF,  24.07.2020 - O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida. (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 24.07.2020 - O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida. (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou nesta sexta-feira (30) que a redução do auxílio emergencial não deve provocar uma queda de demanda na economia.

Na avaliação do secretário, com a diminuição das medidas de restrição e isolamento nas cidades, as pessoas voltarão gradativamente a trabalhar e gerar renda.

"Eu vejo algumas pessoas falando que o auxílio emergencial reduziu e a demanda vai cair, não é o meu entendimento", disse.

A última prorrogação da assistência, válida até dezembro deste ano, reduziu o valor do benefício de R$ 600 para R$ 300.

"O auxílio emergencial começou a ser pago porque as pessoas não podiam trabalhar, era uma medida de combate à pandemia. À medida que as restrições de movimentação social diminuem, as pessoas voltam a trabalhar, a gerar produção e gerar renda", afirmou.

De acordo com o secretário, monitoramento da pasta indica que o nível de distanciamento social nas cidades está se aproximando ao patamar observado antes da pandemia. Segundo ele, as projeções da secretaria apontam que em dezembro esse indicator alcançará o padrão pré-crise.

O fim do auxílio em dezembro vem gerando divergências no governo. A ideia inicial era aprovar até o fim do ano uma ampliação do Bolsa Família. Com isso, o auxílio emergencial acabaria, mas o novo programa social teria mais beneficiários e maior valor.

No entanto, não há consenso sobre a fonte de financiamento do programa. A equipe econômica defende que sejam consolidadas ações existentes hoje, como o abono salarial, espécie de 14º salário pago a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. A ideia foi rejeitada pelo presidente Jair Bolsonaro.

A equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) também defende a retirada de amarras do Orçamento, o que abriria espaço para novos gastos. A medida permitiria, por exemplo, um congelamento de aposentadorias, plano também descartado por Bolsonaro.

O programa chegou a ser anunciado usando como fonte a limitação dos pagamentos de precatórios, dívidas do governo reconhecidas na Justiça. Diante de críticas, a proposta acabou abandonada.

De acordo com Sachsida, ainda restam R$ 138 bilhões em recursos do governo que serão injetados na economia até dezembro, com o restante do auxílio emergencial e pagamentos de FGTS.

Para a retomada da economia, ele afirma que indústria e comércio lideraram os indicadores no terceiro trimestre e que o encerramento do ano deve ter protagonismo do setor de serviços.

Como fator usado para apostar nessa recuperação, ele afirma que o maior impacto da crise se deu no setor informal, que é mais dinâmico e deve retornar junto com o maior movimento nas cidades.

Após Guedes afirmar que o novo imposto aos moldes da CPMF está morto, o que inviabilizaria a desoneração da folha de salários, Sachsida disse que essa redução de encargos pode ser feita de outras maneiras.

Segundo o secretário, a folha salarial tem custos que não estão relacionados à arrecadação do governo. Ele não deu exemplos, mas a contribuição ao FGTS é uma das contas que pode ser reduzida, segundo estudos da equipe econômica.