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Redes sociais enfrentam nova realidade após suspensão de Trump

Rob Lever
·4 minuto de leitura

As gigantes das redes sociais deram um passo sem precedentes ao fechar as contas do agora ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, e de muitos de seus apoiadores. Agora enfrentam o dilema de se esforçar para permanecer politicamente neutras, enquanto promovem a democracia e a liberdade de expressão.

Depois da violência sem precedentes na sede do Congresso americano, plataformas como Facebook, Twitter, YouTube e Snapchat, de propriedade do Google, silenciaram Trump ao suspender suas contas para impedi-lo de incitar novos episódios violentos.

A rede social alternativa Parler, um refúgio da extrema direita, foi forçada a se desconectar quando a Amazon retirou seu serviço de "hosting".

Essas proibições, que por um lado abriram novos caminhos para as empresas da Internet, por outro destruíram a noção de que são plataformas neutras, abertas a qualquer pessoa que expresse qualquer tipo de opinião.

"Banir Donald Trump foi para as redes sociais como atravessar o Rubicão, e agora não podem voltar atrás", comentou Samuel Woolley, professor e pesquisador do Centro de Engajamento de Mídia da Universidade do Texas.

"Até agora, seu maior objetivo era promover a liberdade de expressão, mas os acontecimentos recentes mostraram que não podem mais fazer isso".

O chefe do Twitter, Jack Dorsey, defendeu na semana passada a proibição de Trump, mas reconheceu que foi o produto de seu "fracasso em promover uma conversa saudável".

Além disso, "estabelece um precedente que considero perigoso: o poder que um indivíduo ou uma empresa tem sobre parte da conversa pública global", disse.

Javier Pallero, diretor de políticas da organização de direitos digitais Access Now, afirmou que a proibição de Trump poderia marcar o início de uma nova maneira para as redes sociais lidarem com conteúdo perigoso, incluindo o de líderes políticos.

"As empresas reagiram aos apelos à violência do presidente dos Estados Unidos e foi uma boa decisão. Mas falharam em outras regiões como Mianmar", onde as redes sociais têm sido usadas para perseguições, disse Pallero.

- Direitos humanos em primeiro lugar? -

Em algumas regiões do mundo, as plataformas estão sendo forçadas a escolher entre seguir as leis nacionais ou priorizar os princípios dos direitos humanos, observou Pallero.

"Pedimos às plataformas que coloquem os direitos humanos em primeiro lugar. Às vezes o fazem, mas as decisões sobre a governança do conteúdo sempre são frustrantes de alguma forma", disse ele.

Em regimes autoritários com leis restritivas, as plataformas "deveriam permanecer e dar voz aos ativistas pela democracia... No entanto, se forem forçadas a identificar dissidentes ou censurá-los, provavelmente devem partir. Mas não sem lutar", acrescentou Pallero.

Woolley estima que as redes sociais que baniram Trump agora provavelmente serão pressionadas a tomar medidas contra líderes com estilo semelhante que abusam das plataformas. 

"Não podem simplesmente banir um político nos Estados Unidos sem tomar medidas semelhantes em todo o mundo", disse ele. "Seria visto como priorizar os Estados Unidos de uma forma que seria considerada injusta."

- O poder da plataforma -

Até recentemente, as plataformas davam aos líderes mundiais alguma margem de manobra, já que seus comentários poderiam ser considerados de interesse público, mesmo que fossem inflamatórios. 

E tirar plataformas de Trump ressaltou o imenso poder de um punhado de redes sociais sobre o fluxo de informações, destacou Bret Schafer, pesquisador da organização sem fins lucrativos Alliance for Securing Democracy.

"Uma das coisas que os obrigou a agir foi que vimos a retórica do presidente se manifestar em violência no mundo real", disse Schafer. "Esse pode ser o limite onde a linha é traçada".

Mas ele destacou as inconsistências na aplicação dessas políticas em outras partes do mundo, mesmo em regimes autoritários.

"Discutir o fato que os líderes de alguns desses países podem ter uma conta quando seus cidadãos não podem participar da discussão é um argumento legítimo", disse Schafer.

As empresas da Internet provavelmente enfrentarão exigências regulatórias crescentes após os recentes distúrbios.

Karen Kornbluh, que chefia a iniciativa de inovação digital e democracia do German Marshall Fund, disse que qualquer ajuste regulatório em potencial deve ser modesto, para evitar que governos acabem regulando o discurso online.

Ele acrescentou que as plataformas devem ter um "código de conduta" transparente que limite a desinformação e o incitamento à violência, e que devem ser responsabilizadas se não cumprirem esses termos.

As plataformas poderiam usar algum tipo de "disjuntor" para evitar que o conteúdo incendiário se torne viral, da mesma forma que Wall Street age quando há mudanças extremas.

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