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Rede Limpa: ação dos EUA contra 5G da Huawei forma "guerra fria tecnológica"

Rui Maciel
·6 minuto de leitura

A embaixada da China no Brasil atacou com força uma iniciativa do governo dos EUA que atinge diretamente as soluções 5G oferecidas pela Huawei e que leva o nome de Rede Limpa. O Brasil, inclusive, pode aderir ao memorando do programa. Com isso, a fabricante chinesa pode ser banida - ou ter a sua atuação limitada - da quinta geração da internet móvel no país.

Em nota, o governo chinês afirma que o subsecretário de crescimento econômico, energia e meio ambiente do Departamento de Estado dos EUA, Keith Krach, "fez acusações mal-intencionadas sobre a segurança da tecnologia 5G da China e espalhou mentiras políticas contra a China e empresas chinesas. São alegações que desrespeitam os fatos básicos. O seu objetivo real é caluniar a China e tentar implantar distúrbios na parceria sino-brasileira. Manifestamos veemente objeção a tal comportamento".

Ainda no comunicado, as autoridades do país asiático afirmam que:

"A chamada 'rede limpa' pregada pelos Estados Unidos é discriminatória, excludente e política. É de fato uma 'rede suja', e sinônimo de abuso do pretexto da segurança nacional por parte dos EUA para promover guerra fria tecnológica e bullying digital.

Durante muito tempo, os EUA conduziram, em grande escala e de forma organizada e indiscriminada, atividades de vigilância e espionagem cibernéticas contra governos, empresas e indivíduos estrangeiros, além de líderes de organismos internacionais. Ações que constituem graves violações da privacidade e da segurança de terceiros e representam uma verdadeira ameaça à segurança dos dados das redes globais"

A China afirma ainda que propôs a Iniciativa Global sobre Segurança de Dados e que sempre busca promover uma cooperação de governança global sobre cibersegurança, seguindo o princípio de consultas extensivas, contribuições conjuntas e benefícios compartilhados.

"Não há nenhuma legislação na China que exija as empresas a colaborar com a espionagem cibernética. Como a maior fornecedora de equipamentos de telecomunicação no mundo e líder em 5G, a Huawei tem mantido um excelente histórico de segurança e está disposta a assinar com qualquer país um acordo de 'anti-backdoor'.

Os ataques que um pequeno número de políticos americanos fizeram contra a China são infundados e caluniosos. Seu objetivo não é, de forma alguma, salvaguardar a segurança nacional ou a dos dados de outros países, mas cercear as empresas chinesas de alta tecnologia, coagir outras nações a sacrificar seus próprios interesses, servir ao "America First" e manter seu monopólio tecnológico."

O que é a Rede Limpa?

De forma resumida, trata-se de uma iniciativa global dos EUA cujo objetivo é banir a tecnologia chinesa das redes de telecomunicações, principalmente a 5G. Isso porque o governo de Donald Trump acusa empresas como Huawei e ZTE de usarem seus equipamentos, presentes na infraestrutura das redes, para realizar espionagem para o governo da China. No entanto, o mandatário norte-americano nunca apresentou qualquer prova de que isso seja, de fato, feito.

Ainda que o Brasil não tenha decidido se liberará a Huawei para participar, o presidente Jair Bolsonaro teria aderido ao memorando da Rede Limpa, que seria assinado em "um futuro próximo", segundo o subsecretário Krach, que está no Brasil.

No entanto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na última terça-feira (10) que a decisão de proibir a participação da Huawei no 5G ainda não foi tomada e que outros membros do governo diretamente envolvidos na implementação da rede seriam consultados. No entanto, Guedes declarou que também vem escutando os alertas emitidos por EUA e Reino Unido sobre supostos riscos à segurança nacional.

Operadoras que fariam parte da iniciativa "Rede Limpa" (Imagem: Depto. de Estado dos EUA)
Operadoras que fariam parte da iniciativa "Rede Limpa" (Imagem: Depto. de Estado dos EUA)

Entre os países que teriam aderido ao programa Rede Limpa, estão Reino Unido, República Tcheca, Polônia, Suécia, Estônia, Romênia, Dinamarca, Grécia e Letônia. Segundo um documento da ação, "muitos países estão optando por permitir apenas fornecedores confiáveis ​​em suas redes 5G".

Esse mesmo documento indica ainda que diversas operadoras globais que também estão se tornando "Telecos Limpas". Entre elas, são citadas a Orange na França, Jio na Índia, Telstra na Austrália, SK e KT na Coréia do Sul, NTT no Japão e O2 no Reino Unido. Todas estariam rejeitando fazer negócios com "ferramentas do Estado de vigilância do Partido Comunista Chinês, como a Huawei". Por fim, as três grandes empresas de telecomunicações do Canadá teriam decidido fazer parcerias com a Ericsson, Nokia e Samsung, "porque a opinião pública foi totalmente contra permitir que a Huawei construísse as redes 5G do Canadá".

Operadoras brasileiras se esquivam

Com ampla participação dos equipamentos da Huawei em suas redes - cerca de 40% de sua infraestrutura - as operadoras nacionais, como Vivo, Claro, TIM e Oi não se mostram interessadas em banir a fabricante chinesa. Primeiro, porque seria necessário realizar investimentos gigantescos na substituição de equipamentos e softwares das redes, o que seria inviável para elas.

Outro motivo é que a Huawei oferece linhas de financiamento generosas e de longo prazo para a compra de seus equipamentos por parte das operadoras:

"Elas [as operadoras] sabem que o crédito, que o dinheiro chinês é o mais barato do mundo. Há taxas subsidiadas pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB), que oferece linhas de crédito muito mais baratas", afirmou um fonte do setor ao Canaltech. "Nos EUA e Europa, essas linhas são muito mais caras, coisa de 5%, 6% mais caras ao ano. Nesses países, o público financiando o privado no setor de telecom é inviável. Não é como acontece na China. Por uma questão até cultural, eles não têm pressa de ver o retorno do seu investimento, eles pensam décadas a frente. Os chineses preferem apostar muito mais em um relacionamento de longo prazo", completa.

Para tentar atrair as operadoras, o governo dos EUA está usando agências oficiais para oferecer linhas de crédito para as operadoras brasileiras que comprarem equipamentos para sua infraestrutura 5G de outras marcas que não sejam as da fabricante chinesa. O objetivo do governo Trump é fazer com que Vivo, Claro e TIM adquiram tais equipamentos de fornecedores como Ericsson e Nokia.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo: operadoras brasileiras se esquivam em participar da iniciativa do governo Trump de banir a Huawei do 5G (Imagem: Depto. de Estado dos EUA)
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo: operadoras brasileiras se esquivam em participar da iniciativa do governo Trump de banir a Huawei do 5G (Imagem: Depto. de Estado dos EUA)


Para as operadoras, no entanto, os financiamentos oferecidos pelo governo dos EUA para a compra de equipamentos 5G não apresentam grandes vantagens. Primeiro, porque boa parte da infraestrutura delas hoje, no Brasil, conta com componentes da Huawei - Nokia e Ericsson também. O segundo ponto é que realizar toda essa troca por equipamentos de outras marcas custaria muito mais do que as agências oficiais norte-americanas teriam disponível em suas linhas de crédito.

Além disso, as condições de financiamento a serem oferecidas por essas agências não seriam das mais interessantes, principalmente em comparação ao que é oferecido pela Huawei. Para completar o cenário, além de já estarem acostumadas em manusear equipamentos da marca chinesa, as operadoras do setor consideram os componentes da mesma mais eficientes e com preços mais competitivos.

Por fim, na semana passada, as operadoras brasileiras foram convidadas pelo governo dos EUA para discutir o 5G no país, durante a visita do subsecretário Keith Krach. Elas declinaram do convite.

Com informações da Folha de São Paulo e Departamento de Estado dos EUA

Fonte: Canaltech

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