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Rede de computadores Arpanet, embrião da internet, faz 50 anos

RICARDO AMPUDIA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em julho de 1969, Neil Armstrong mandou uma mensagem à Terra que mudaria a história. "Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade" entraria para os livros como a conquista daquele século.

Três meses depois, às 22h30 de 29 de outubro de 1969, uma segunda mensagem abriria as portas para uma outra revolução na história moderna: "LO".

A mensagem original deveria ser "login", mas a Arpanet, primeira rede de computadores do mundo, a semente da internet, travou.

Naquela noite, o estudante de computação Charley Kline e o professor responsável Leonard Kleinrock, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, testavam o envio de uma mensagem a colegas em outro laboratório, na Universidade de Stanford, a quase 600 quilômetros dali, usando uma nova estrutura de rede para envio de dados, diferente da rede telefônica.

"Charley digitou I e eu perguntei a Stanford, pelo telefone: 'Vocês receberam aí?', e eles confirmaram. Quando cheguei ao G, o sistema todo caiu. Foi assim o nosso começo", contou Kleinrock em um evento da Icann --entidade que coordena a alocação de endereços na internet no mundo, em outubro.

A Arpanet surgiu como um projeto do Departamento de Defesa dos EUA, com a intenção de interligar bases militares. Seu principal legado para o desenvolvimento das redes até chegar à internet foi uma inovação, nos anos 1970, ao criar um protocolo de como os dados eram enviados de um terminal ao outro.

O TCP/IP garante que pacotes de dados sejam enviados ao destinatário correto e recebidos na ordem correta. Esse tipo de transferência é a base para o modo como navegamos pela rede hoje.

O protocolo não foi patenteado, o que permitiu que outros países desenvolvessem redes compatíveis entre si. Na época, os cientistas californianos não imaginavam um futuro com grandes corporações monopolizando serviços na rede.

"Não vimos o lado negro surgindo por causa de nossa cultura, um monte de pessoas boas trabalhando juntas. Não imaginávamos que chegaríamos a um ponto em que haveria uma intenção de lucro", disse o reflexivo Kleinrock, o pai da Arpanet, ao jornal The New York Times.

Dias antes do meio centenário da Arpanet, o bilionário Mark Zuckerberg, criador do Facebook, enfrentava o comitê de finanças do Congresso americano para defender seu ambicioso projeto de criptomoeda, a Libra.

O homem não vai à Lua desde 1972, mas pode-se navegar pela sua superfície, em alta resolução, pela internet, que conecta 5 bilhões de pessoas.