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Recuperação da economia acelera no terceiro trimestre

IVAN MARTÍNEZ-VARGAS E EDUARDO CUCOLO
Foto: Alexandre Moreira/Brazil Photo Press/Folhapress

Indicadores do Banco Central e do IBGE mostram uma aceleração da atividade econômica do país no terceiro trimestre deste ano.

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O IBC-BR (Índice de Atividade Econômica do BC), divulgado nesta quinta-feira (14), por exemplo, teve alta foi de 0,44% em setembro, na comparação com agosto. Foi a segunda elevação mensal consecutiva e o melhor desempenho em quatro meses para o dado. As estimativas do mercado eram de alta de 0,3%.

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No terceiro trimestre, o crescimento foi de 0,99% em relação ao mesmo período de 2018. O setor de serviços e o desempenho das vendas do comércio influenciaram a recuperação da economia.

Os números do IBC-Br estão em linha com indicadores divulgados pelo IBGE sobre o desempenho dos serviços (que cresceram 1,2% em setembro, na comparação com agosto) e das vendas do comércio (que tiveram alta de 0,7% na comparação mensal e de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado).

Os resultados positivos fizeram com que instituições financeiras revisassem para cima suas projeções para o do terceiro trimestre e dos últimos três meses deste ano.

"Nossa projeção do PIB para o terceiro trimestre era de 0,3% e passou a 0,4%, na comparação trimestral. Na anual, a estimativa era de 0,7% e agora é de 0,9%", diz Laiz Carvalho, economista do Santander.

A projeção do banco é que o PIB cresça 2% em 2020.

Para a economista, o início da liberação de parte do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e a realização da Semana Brasil, com promoções no varejo, influenciaram o desempenho econômico no mês de setembro.

"O comércio teve resultados bem positivos. Salta aos olhos a alta nas vendas de móveis e eletrodomésticos, de 5,2% no mês. Pode ser, porém, que tenha havido uma antecipação de consumo do quarto trimestre", afirma Carvalho.

Os últimos três meses do ano ainda terão continuidade da liberação de R$ 500 em contas do FGTS, além do pagamento do 13º benefício do Bolsa Família, o que deverá influenciar positivamente o consumo, ainda que de maneira pontual, segundo Thiago Xavier, da Tendências.

"Enxergo um fim de ano ainda melhor para o comércio com essa injeção pontual de recursos. As famílias deverão usar esses recursos para o pagamento de contas, mas podemos esperar uma alta fugaz do consumo. A economia iniciaria 2020 um pouco mais acelerada." A estimativa da consultoria é de 1,8% de alta do PIB para 2020.

"Na comparação anualizada, o crescimento do terceiro trimestre observado no IBC-Br é de 1%. O índice tem uma correlação considerável com o PIB. A nossa projeção ainda é que a economia deverá crescer 0,9% neste ano. A velocidade de crescimento é a mesma desde o segundo trimestre", afirma.

O Itaú Unibanco projeta que o dado oficial do PIB mostre uma expansão de 1% em 2019. O dado, no entanto, é uma média do desempenho do ano. O ritmo ao final do ano, para a instituição, está próximo de 1,8%.

Para 2020, a expectativa é de um crescimento médio de 2,2%, mas com a economia encerrando o próximo ano a um ritmo de 2,6%.

Mario Mesquita, economista-chefe da instituição, atribui boa parte da melhora na atividade ao processo de queda da taxa básica de juros, que está atualmente em 5% ao ano e deve chegar a 4% ao ano no início de 2020, segundo projeção do banco.

"A economia deve chegar, por volta de 2021, ao pico anterior à crise [de 2015/2016]. A política monetária está tendo e ainda vai ter mais efeito à frente, na medida em que os juros forem caindo. A economia global deve ajudar também nessa retomada da atividade aqui no Brasil. Pelo menos o mundo não está em contração", afirmou Mesquita em evento de apresentação das projeções.

O economista do Itaú Unibanco Luka Barbosa afirmou que os dados sobre geração de empregos formais, por exemplo, já mostram criação de vagas em ritmo compatível com um PIB próximo de 2%.

Para os analistas, o destaque negativo do ano até o momento é, novamente, o desempenho da indústria.

A produção industrial cresceu 0,3% em setembro ante agosto, mas acumula queda de 1,4% no ano, segundo dados do IBGE.

"Desde que a economia iniciou a retomada, em 2017, o setor de serviços lidera e há um contraste com a indústria, que deverá ter retração de 1% neste ano. Na verdade, o setor precisa melhorar no último trimestre para chegar a perder só 1%, devido aos resultados ruins até agora", afirma Thiago Xavier.

A indústria foi fragilizada por fatores como a crise argentina, que afetou a exportação brasileira de veículos.

"A crise argentina está entre os riscos para o desempenho do Brasil devido à interdependência. Exportamos bens intermediários para o país vizinho, e a recessão lá tem um impacto negativo aqui."