Mercado fechará em 4 h 46 min

No futuro, pagamentos serão feitos com um piscar de olhos

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Nada de plástico, celular ou QR Code: o futuro dos pagamentos instantâneos está literalmente na cara. Hoje, a biometria facial se mostra como a maneira mais natural, segura e prática de se realizar transações financeiras em segundos, quase sem perceber. E enquanto esse futuro não chega, grandes empresas, startups e financeiras vão moldando as opções e preparando os clientes pra revolução que deve acontecer num piscar de olhos.

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Atualmente, 24% da população brasileira já usa meios de pagamento como aproximação, QR Code e afins, segundo dados da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. No entanto, não chega nem perto do movimento que é visto em países como a China. Lá, cerca de 70% das compras já são feitas pelo celular. “Os vendedores ficam bravos se você tenta comprar com cartão ou dinheiro”, conta Rafael Ribeiro, diretor executivo da ABStartups.

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Essa onda de transações instantâneas, porém, não deve chegar com a mesma força no Brasil. A projeção mais esperada é que a maioria das pessoas pule essa etapa e passe a abraçar, diretamente, meios de pagamentos mais naturais, como a biometria facial e até leitura de gestos. O fato é que, aos poucos, independente do país, o cartão vai sumir. E os pagamentos vão se tornar algo tão natural quanto entrar e sair de um carro da Uber.

“A ideia é que o plástico desmaterialize e a experiência de pagamento se dissolva na rotina da pessoa”, explica Percival Jatobá, vice-presidente de produtos da Visa Brasil. “Será algo quase imperceptível, que se integra à experiência de compra. Pode ser a biometria facial, pode ser um chip implantado na pessoa e que agregue outras informações. Isso não importa. O fato é que a mudança está chegando e não temos mais como interrompê-la”.

Startup nacional inova em biometria

Atualmente, as tecnologias que mais chamam a atenção chegam das startups. A brasileira FullFace, por exemplo, possui uma solução completa para biometria facial que identifica mais de 1024 pontos da face em menos de um segundo. E com 99% de precisão. Ou seja, você não precisa ficar passando na frente da tela ou mexendo o celular insistentemente para que ela funcione. Atualmente, já tem clientes como Vivo, GOL e o banco digital C6.

“Nossa tecnologia, além de ser precisa, também resolve um problema grave de segurança. O nosso banco de dados não armazena nenhum rosto, nenhuma foto, nenhuma imagem”, afirma Danny Kabiljo, CEO da FullFace. “O que nosso sistema faz é transformar o rosto das pessoas em números. Seu rosto vira uma CPF digital. E, com isso, fica impossível que roubem o banco de dados ou usem a informação de forma inapropriada. É rápido e seguro”.

Assim, depois de fazer um primeiro cadastro, a plataforma da FullFace passa a encarar seu rosto como uma série de números, que serão usados a cada vez que você passar por uma câmera integrada à solução da startup. Hoje, a empresa trabalha para várias áreas de diversos setores. No entanto, vê com atenção o segmento financeiro. “Hoje, não vejo o QR Code como a solução para o Brasil”, afirma o Kabiljo. “A biometria vai ser o caminho”.

Já a Conductor, especializada em soluções digitais para pagamentos, lançou uma plataforma que chama a atenção pela versatilidade. Ela usa um sistema de biometria facial da Oiti Technologies para validar o uso de uma carteira digital própria. Nela, é possível colocar vários cartões em um único ambiente -- inde de private label não bandeirado até os tradicionais. A biometria entra como a senha para fazer a validação daquele cliente.

“A experiência de pagamento ainda é algo dissociado da jornada do consumidor. Ele vai na loja, entra em contato com os produtos, e depois precisa pegar uma fila longa pra pagar. Ou, num restaurante, come bem e depois precisa pedir a conta e ficar esperando”, exemplifica Ricardo Longo, diretor de marketing da Conductor. “Queremos fazer com que a jornada do consumidor se torne mais natural e invisível. Não importa o cartão que use”.

Gigantes do setor estão de olho

Para não perder os avanços rápidos desse mercado, as grandes marcas do setor financeiro também olham com atenção para os novos meios de pagamento. Visa e MasterCard, as principais bandeiras de cartão no País, estão com um olhar mais atento para o pagamento via QR Code ou aproximação. Mas admitem que soluções de biometria, sejam elas quais forem, também estão sendo levadas fortemente em conta em suas prospecções futuras.

A MasterCard, por exemplo, comprou uma empresa de segurança, em 2017, que compreende o comportamento do usuário. Entende, por meio de inteligência artificial e um sofisticado sistema de gestos, como a pessoa segura o celular, qual dedo toca o touchscreen e coisas do tipo. E assim, junto com o próprio reconhecimento facial, amplifica as soluções de segurança para o setor financeiro e naturaliza ainda mais o pagamento.

“Ainda temos um mundo a ser explorado em transações digitais. Para melhorar a experiência do usuário, aumentar a conversão de vendas e otimizar o e-commerce”, afirma Paulo Frossard, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Mastercard Brasil.

Paulo Jatobá, da Visa, ressalta que várias soluções estão surgindo, como internet das coisas para pagamentos e biometria facial. No entanto, ele lembra que é preciso pensar em camadas cada vez maiores de segurança. “Nós desenvolvemos a tokenização, que dá dinamicidade aos dados do cartão”, explica. “Isso vai permitir, cada vez mais, que pulseiras, anéis e até jaquetas sirvam como meio de pagamento na hora de finalizar a sua compra”.

O professor André Monteiro, especialista em desenvolvimento de soluções em inteligência artificial do Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação (IGTI), destaca a importância de várias camadas de segurança. “Até mesmo o reconhecimento facial pode ser burlado. Algumas alternativas envolvem o reconhecimento facial associado a algum gesto, como o de piscar os olhos. Isso garante que é a pessoa em frente à câmera.”