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Recessão histórica na França em 2020, apesar de melhor que o esperado

Marie HEUCLIN
·2 minuto de leitura
O famoso bar Au Chat Noir em Paris fechado após novas medidas de restrição sanitária devido ao coronavírus

A pandemia do coronavírus fez estragos na economia francesa e provocou em 2020 a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial, apesar de não ter sido tão ruim como se temia.

A queda de 8,3% do Produto Interno Bruto (PIB) é chocante em comparação com o crescimento de 1,5% registrado em 2019, segundo as primeiras estimativas publicadas nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Nacional de Estatística (Insee).

O Insee e o Banco da França previam um retrocesso do PIB de 9% e o governo estimava um fiasco de -11%.

Mas a economia francesa resistiu melhor ao segundo confinamento, decretado no final de outubro, e o PIB caiu 1,3% no último trimestre do ano, contra uma estimativa de -4% do Banco da França.

"É uma surpresa, já que no último trimestre tivemos seis semanas de confinamento e três de toque de recolher", disse Selin Ozyurt, economista da Euler Hermes, em uma entrevista com a AFP.

Segundo a especialista, isso ocorreu "em parte devido à resiliência do investimento privado, mas principalmente público, que sustentou o setor da construção, e por outra parte ao fato de as escolas terem permanecido abertas, o que permitiu aos pais continuar trabalhando".

Neste segundo confinamento, a desaceleração econômica foi "muito mais moderada do que durante o primeiro, entre março e maio de 2020", segundo o Insee.

O primeiro confinamento provocou uma queda de 5,9% no primeiro trimestre e 13,7% no segundo. A reabertura da economia gerou uma recuperação de 18,5% no terceiro trimestre, antes da chegada de novas restrições.

- Medo pelo início de 2021 -

O ministro de Contas Públicas, Olivier Dussopt, destacou no Twitter a "capacidade de resistência e recuperação" da economia francesa e a "eficácia dos auxílios oferecidos" pelo governo.

No entanto, isso não muda o fato de que a França sofreu sua pior recessão desde o final da Segunda Guerra Mundial em 1945, observada nas quedas generalizadas registradas nas economias desenvolvidas como consequência da pandemia de covid-19.

A epidemia de covid-19 provocou um retrocesso do consumo de 7,1% em todo o ano.

Os dados globais ocultam as disparidades entre setores. Alguns ramos da indústria, assim como a construção, se recuperaram muito bem após o primeiro confinamento.

Por outro lado, a indústria aeronáutica e as atividades como hotelaria, restaurantes, artes e espetáculos, continuam sofrendo as consequências da epidemia.

Para tentar conter os efeitos da crise e o aumento das falências e do desemprego, o governo implementou um arsenal de auxílios por mais de 300 bilhões de euros em 2020 (cerca de 360 bilhões de dólares), em sintonia com a ordem do presidente Emmanuel Macron de "custe o que custar".

Esta mobilização continuará em 2021, porque apesar da chegada gradual das vacinas, o agravamento da epidemia com a aparição de variantes mais contagiosas do vírus certamente obrigará o governo a endurecer as restrições.

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